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Após esvaziamento, PSDB de AL tenta se reorganizar e mira eleições de 2026

Dirigentes locais alinham discurso com a nova direção nacional e admitem apoio a JHC para o governo

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Deputado federal Aécio Neves assumiu a presidência nacional do PSDB nesta semana para tentar reerguer o partido
Deputado federal Aécio Neves assumiu a presidência nacional do PSDB nesta semana para tentar reerguer o partido | Foto: Assessoria

Após anos de esvaziamento político, o PSDB de Alagoas iniciou um processo de reconstrução que acompanha a movimentação nacional da legenda. Hoje com apenas um prefeito, dois vices e 35 diretórios municipais, o partido busca retomar relevância no estado, onde já foi protagonista com o ex-governador Teotônio Vilela Filho.

O novo impulso vem com a recondução do deputado federal Aécio Neves (MG) à presidência nacional da sigla, o que reacendeu o debate sobre o futuro do partido — inclusive em solo alagoano.

Na convenção nacional realizada no dia 27, Aécio defendeu um PSDB de centro, capaz de dialogar e se reposicionar como alternativa aos extremos representados por Lula (PT) e Bolsonaro (PL). A mensagem reverberou em Alagoas, onde Téo Vilela, presidente de honra da legenda, reconheceu o momento delicado vivido pelo partido, mas demonstrou otimismo com o novo comando.

Téo convocou uma reunião com o presidente estadual Pedro Vilela, o secretário-geral Claudionor Araújo e o prefeito de Quebrangulo, Manoel Tenório, para traçar estratégias de fortalecimento do PSDB nos 102 municípios alagoanos. Embora descarte candidatura, o ex-governador tem atuado nos bastidores para reorganizar a sigla no Estado.

Pedro Vilela, por sua vez, tem evitado aparições públicas. Pessoas próximas relatam que o ex-deputado ainda lida com frustrações da derrota em 2022 e que seu distanciamento contribuiu para o enfraquecimento do partido em Alagoas.

Claudionor Araújo tem assumido papel ativo nas articulações e declarou que, caso o prefeito de Maceió, JHC (PL), dispute o governo em 2026, o PSDB poderá apoiá-lo. “Hoje fazemos parte da gestão da prefeitura de Maceió”, afirmou, sem entrar em detalhes.

Já o prefeito Manoel Tenório, único gestor municipal tucano no Estado, recorda os tempos de protagonismo da legenda em Alagoas, com bancada federal e estadual expressiva, além de influência em quase metade das prefeituras. Para ele, a retomada do PSDB pode começar com a reconstrução da confiança da população em propostas equilibradas. “O País precisa de uma alternativa sem extremismo e com mais tranquilidade”, declarou.

AÉCIO

Em nível nacional, o deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG) foi oficializado presidente do partido na última quinta-feira, 27, em eleição do diretório nacional com chapa única. Em cerimônia realizada em Brasília, que contou com a presença do Presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e representantes do PL, PP, Podemos e PSB, o ex-governador de Minas Gerais disse que vai adotar um caminho “radical de centro” e pregou o fim da polarização — embora tenha feito críticas contundentes ao PT e nenhuma menção ao bolsonarismo, que já apoiou.

Durante o discurso, Aécio não poupou críticas ao comportamento petista atual e histórico. Ele reprovou a posição do partido do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao votar contra o PL Antifacção na semana passada e relembrou antigos episódios.

“O PT, de forma incompreensível, votou contra o projeto construído por ele próprio, com a avaliação de que não lhe trazia mais dividendos eleitorais. É o velho PT, o mesmo que se negou a apoiar Tancredo Neves no colégio eleitoral para colocar fim a 21 anos de ditadura no País, o mesmo PT que votou contra a Constituição Federal de 1988, contra o Plano Real, contra a Lei de Responsabilidade Fiscal. Sempre que teve de escolher entre o Brasil e o PT, escolheu o PT”, declarou.

Aécio assumirá o comando da executiva nacional tucana até 2027 com o desafio de tirar a sigla da míngua: todos os três governadores eleitos pelo PSDB em 2022 — Eduardo Leite (RS), Raquel Lyra (PE) e Eduardo Riedel (MS) — se desfiliaram. Hoje, o partido que já elegeu o presidente da República tem o número mínimo de deputados na Câmara exigido pela cláusula de desempenho.

Atualmente, o PSDB conta com treze parlamentares na Casa, oriundos de oito estados. Para superar a cláusula em 2026, o partido precisa eleger ao menos treze deputados, ou 2,5% dos votos válidos, distribuídos em nove unidades da federação. Caso contrário, perde acesso ao fundo partidário e ao tempo de propaganda gratuita.

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