Política
Ferro deixa a PF e vai para a Assembleia
Depois de passar seis dias preso na carceragem da Polícia Federal (PF) sob a acusação de envolvimento no assassinato do vereador de Delmiro Gouveia, Fernando Aldo, o deputado estadual afastado do mandato por denúncia de corrupção Cícero Ferro (PMN) foi solto na tarde de ontem e voltou a alegar estar sendo perseguido pelo Poder Judiciário de Alagoas. Após esperar cerca de 24 horas para se ver livre da carceragem PF, Ferro deixou a prisão cobrando que o presidente da Assembleia Legislativa, Fernando Toledo (PSDB), garanta seu retorno ao exercício do mandato. E saiu reclamando do que chamou de ?má vontade? do Judiciário para expedir o alvará de soltura, determinada pelo ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF). O alvará foi assinado pela desembargadora Elisabeth Carvalho, presidente do Tribunal de Justiça de Alagoas (TJ/AL). ### Deputado pressiona por mandato | NIVIANE RODRIGUES - Repórter A sessão estava começando quando ele chegou. Pasta embaixo do braço, com pose de quem voltou para ficar, o deputado afastado Cícero Ferro (PMN) sentou no lugar onde vem ocupando desde o dia 5, quando decidiu retornar ao parlamento, mesmo tendo sido afastado pela Justiça. No plenário, não faltaram a ele a companhia de deputados que participavam da segunda sessão ordinária da semana ? seriam três, mas por falta de quórum a de quarta-feira não ocorreu. A expectativa era de que ele tentasse falar na tribuna, mas não o fez. Ficou, como das outras vezes, como ouvinte. Trocou alguns cochichos com parlamentares que estavam a sua volta e antes da sessão terminar, em torno das 16h36, deixou o plenário e acomodou-se na sala dos deputados, onde foi cercado pela imprensa. Todos queriam saber se ele estaria disposto a continuar comparecendo às sessões, mesmo afastado pela Operação Taturana, da Polícia Federal. ### Violência volta a ser criticada Os deputados parecem mesmo ter tomado para si a preocupação com a questão da violência no Estado, que nessa semana bateu à porta de alguns deles, inclusive do presidente da Assembleia, Fernando Toledo. O parlamentar teve familiares vítimas de sequestro relâmpago. George Clemente (PSB) também sentiu na pele os efeitos da falta de segurança e ontem foi o primeiro a usar da tribuna da Casa para cobrar do governo ?um posicionamento mais firme? em relação à contratação do cadastro de serva da PM e Corpo de Bombeiros. A nora dele teve o carro roubado e ficou algumas horas nas mãos dos bandidos. Clemente chegou a se colocar à disposição para fazer parte da Comissão de Direitos Humanos da Casa, esquecendo que todas já tiveram os nomes definidos e que ele, como suplente, ficou fora, a exemplo dos demais. ///