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C�nego diz que tem pena dos bandidos

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Noite de sexta, 20 de março. As festividades pelo dia de São José levaram o cônego Henrique Soares e seu assistente Pedro ao povoado de Poxim, município de Coruripe, 90 km de Maceió. Com alegria, eles rezaram a missa na comunidade e por volta das 21 horas pegaram a estrada de volta. No seu Corolla prata, cônego Henrique, batendo papo com Pedro, não imaginava que dentro de dez minutos seria mais uma vítima da violência em Alagoas. ?A noite estava linda! Vinha conversando com Pedro e só vi a caminhonete quando ela ultrapassou e trancou o meu carro?. No espaçoso pátio do prédio onde mora, cônego Henrique, na última quinta-feira, contou à Gazeta como se livrou da morte. ?Tenho convicção de que eles só não me mataram porque sou padre?. Quando percebeu o ?trancão?, viu as duas pistolas de aço apontadas na sua direção. ?Eles gritavam, mas os vidros estavam fechados por causa do ar?. ### Assalto expõe a segurança pública Para o cônego Henrique Soares, a violência é mais fruto de uma ?crise moral? do que social. Para ele, não é só comida que falta, é Deus como referencial O cônego Henrique Soares foi só mais uma vítima da violência em Alagoas. Todo dia, alguém passa por situação semelhante, ou ainda pior. E muitos não escapam. De tão corriqueiros, têm casos que nem chocam mais. Na última semana, com o fato da violência ter atingido pessoas da chamada ?alta sociedade?, a fragilidade da Segurança Pública voltou a ser tema de debates entre políticos. Dois deles sentiram na pele a angústia e o medo. Aconteceu com o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Fernando Toledo (PSDB), no domingo passado. Seu neto de 5 anos foi sequestrado com a mãe e a babá. Os bandidos levaram o carro. Foi numa rodovia, perto de Palmeira dos Índios. ### Morto por causa de um celular Os olhos cheios de lágrimas, a imagem do filho na camisa, Maria Tereza Cândido de Almeida, 47, na última quinta, estava na Catedral Metropolitana de Maceió. Participava da 14ª Missa pela Paz. Com uma rosa vermelha numa mão e a bandeira preta na outra, entrou na fila das famílias vítimas da violência. Do fundo da Igreja, foi até o altar e trocou o preto do luto pela rosa branca da paz, num ato simbólico em busca do sossego que ela perdeu há oito meses e nunca mais teve de volta. Flávio de Almeida Brandão, 28, pedreiro, rebocava a casa da mãe, em julho de 2008, quando recebeu a ligação da namorada. Era domingo e ela tinha ido trabalhar. No caminho, roubaram seu celular. Ela telefonou para se confortar com Flávio. Ele ligou para o número dela e atenderam. Falaram que tinham comprado o aparelho dos ladrões, por R$ 100, e não iam perder o dinheiro. ### Próxima vítima pode ser qualquer um A violência crescente em Alagoas já mostrou que a próxima vítima pode ser qualquer um. Mesmo o roubo de um celular pode terminar em morte. Roubo de veículos virou rotina. De acordo com dados oficiais, mais de 1.700 carros foram roubados só no ano passado. Uma média de 140 todo mês. Os últimos casos de violência que repercutiram na impressa, semana passada, entre eles o assalto ao cônego Henrique Soares e os sequestros de parentes de deputados, provocaram, outra vez, o debate acerca da segurança pública. Mas, outra vez, só rendeu mesmo discursos. Medidas rápidas para amenizar a situação, o governo não anunciou nenhuma ? e nem deve fazer isso em curto prazo. ### Nomeações de PM são descartadas Manassés Mesquita é um dos representantes dos aprovados no último concurso da Polícia Militar, que há dois anos esperam nomeação. Uma de suas preocupações é expirar a validade do concurso antes das contratações. O cadastro da reserva só pode existir até maio de 2010. As nomeações precisam acontecer seis meses antes das eleições. Dos 1.954 aprovados, Manassés explicou que 526 são do Corpo de Bombeiros. Do total, 120 já desistiram da polícia alagoana porque passaram em outros concursos. Cerca de 350 moram em outros Estados. ?Teve um que foi assassinado. Latrocínio, roubo seguido de morte. Morreu há dois meses, por causa de um celular?. Na Assembleia Legislativa na última sexta-feira, Manassés estava reunido com outros membros da reserva técnica. Ele criticou a vinda da Força Nacional como meio de combater os homicídios. ///

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