Perspectiva
Tabuleiro político de 2026 está montado, mas peças-chave seguem em movimento
Decisões estratégicas e grandes palanques devem reorganizar forças políticas em Alagoas e no Brasil


O ano eleitoral de 2026 começou oficialmente no dia 1º de janeiro. A data marca a largada para uma das eleições mais complexas da democracia brasileira, que renovará, no mesmo pleito, a Presidência da República, os governos estaduais, o Senado, a Câmara dos Deputados e as assembleias legislativas.
Em Alagoas, o processo está sendo moldado por indefinições estratégicas e movimentos políticos em formação, com figuras centrais cujo posicionamento deverá influenciar decisivamente o resultado nas urnas.
No epicentro desse movimento está o prefeito de Maceió, João Henrique Caldas (JHC), do PL, cuja decisão sobre qual cargo disputará — governo do Estado ou Senado — ainda não foi tornada pública, mas influencia diretamente alianças e chapas proporcionais. Ouvida pela Gazeta, a cientista política Luciana Santana analisa que essa postura serve tanto como ferramenta de negociação quanto como fator de pressão para potenciais aliados e adversários.
Ao lado de JHC, a primeira-dama de Maceió, Marina Candia, surge como parte do projeto e foi testada em pesquisas para uma das vagas ao Senado, mantendo competitividade considerável frente a nomes tradicionais, como o deputado federal Alfredo Gaspar de Mendonça (União) e o ex-deputado estadual Davi Davino Filho (Republicanos). Nos últimos meses, Marina vem participando de atividades políticas também no interior.
Do ponto de vista governista, o nome provável para disputar o Executivo é o do Ministro dos Transportes, Renan Filho (MDB). Ele teria recebido do Presidente Lula um pedido para continuar no governo, mas já afirmou que deixará o cargo até abril.
Com altos índices de aprovação, o Governador Paulo Dantas (MDB), embora tenha dito que pretende concluir seu mandato, é estratégico na articulação política e na definição das alianças que comporão o campo governista.
VOTO “CASADO”
A eleição para as duas vagas no Senado promete uma dinâmica peculiar. Os dois nomes mais fortes são Renan Calheiros (MDB), que busca a reeleição, e Arthur Lira (PP), ex-presidente da Câmara dos Deputados. Analistas apontam que, com duas vagas, pode não haver uma disputa direta, mas sim uma divisão de votos. Prefeitos do interior, muitos do MDB, tendem a apoiar Renan como primeiro voto e Arthur Lira como segundo, em um voto “casadinho”. Para o cientista político Marcelo Bastos, a lógica das duas vagas favorece essa divisão: prefeitos tendem a escolher Renan como primeiro voto, pela força partidária, e Arthur como segundo, pela capacidade de articulação em Brasília.
A definição dos grandes palanques no plano majoritário deve “puxar votos” e organizar as chapas proporcionais, elevando o nível de competitividade e reduzindo a fragmentação tradicional.
Essa dinâmica pode resultar em uma Assembleia Legislativa com menor renovação.
No plano federal, o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vai disputar a reeleição em 2026, buscando um possível quarto mandato, um recorde na história recente da política brasileira. Pesquisas eleitorais recentes mostram Lula à frente em todos os cenários.
Apesar dos bons indicadores econômicos que o governo federal acumula, o Presidente ainda convive com fortes índices de reprovação, reflexo de uma sociedade marcada pela polarização.
Após o ex-presidente Jair Bolsonaro confirmar apoio ao filho Flávio como candidato presidencial, a indicação enfrenta resistências e questionamentos sobre sua capacidade de unificar o eleitorado conservador.
Com o prazo para filiação partidária e desincompatibilização de cargos indo até 2 de abril, as indefinições estratégicas, como a de JHC, terão de ser resolvidas, forçando a formação de alianças e chapas proporcionais.
O ano de 2026 começa com o tabuleiro montado, mas todas as peças centrais ainda estão em movimento.
