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Revolta

Protestos no Irã já deixaram mais de 2,4 mil mortos, diz ONG

Trump incentiva população a sair às ruas e diz que “ajuda está a caminho”

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Protestos começaram em dezembro e se espalharam pelo país
Protestos começaram em dezembro e se espalharam pelo país | Foto: Reprodução

Ao menos 2.403 pessoas morreram durante os protestos antigoverno no Irã, segundo balanço divulgado ontem pela organização Human Rights Activists (HRANA), sediada nos Estados Unidos.

Entre as vítimas estão 1.850 manifestantes, 135 pessoas ligadas ao governo iraniano, nove menores de 18 anos e nove civis que não participavam dos atos.

De acordo com a HRANA, ao menos 16.784 pessoas foram presas desde o início das manifestações. A entidade ressalta, no entanto, que os números podem não refletir totalmente a dimensão da repressão, em razão do bloqueio do acesso à internet e das linhas telefônicas imposto pelas autoridades iranianas.

A CNN informou que não conseguiu verificar de forma independente os dados divulgados pela organização.

Os protestos começaram no fim de dezembro e se espalharam rapidamente por todo o país, configurando o maior desafio ao regime iraniano em anos. Inicialmente motivadas pela inflação elevada e pelo aumento abrupto dos preços de itens básicos — como óleo de cozinha e frango —, as manifestações ganharam caráter político e passaram a questionar o regime dos aiatolás.

A crise econômica foi agravada após o Banco Central do Irã encerrar um programa cambial que permitia a importadores acessar dólares a preços subsidiados. A medida levou comerciantes a elevar preços e, em alguns casos, fechar lojas, desencadeando protestos liderados por comerciantes dos bazares — grupo historicamente alinhado à República Islâmica.

Na tentativa de conter a insatisfação popular, o governo reformista anunciou transferências diretas de cerca de US$ 7 por mês à população, iniciativa que não conseguiu frear as manifestações. Em resposta ao crescimento dos atos, as autoridades intensificaram a repressão e interromperam serviços de internet e telefonia, deixando o país praticamente isolado do exterior.

TRUMP

No cenário internacional, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou ontem que cancelou todas as reuniões com autoridades iranianas enquanto, segundo ele, persistirem as mortes de manifestantes.

Em publicação na rede Truth Social, Trump incentivou a população a manter os protestos e declarou que “a ajuda está a caminho”, sem detalhar o tipo de apoio. O presidente também utilizou o slogan “MIGA” (“Make Iran Great Again”).

“Patriotas iranianos, continuem protestando. Guardem os nomes dos assassinos e abusadores. Eles pagarão um preço alto”, escreveu Trump. O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, reagiu acusando os Estados Unidos de incitarem os protestos e pediu que Trump “se concentre em seu próprio país”.

As manifestações já duram 16 dias, foram registradas em 187 cidades e resultaram na prisão de cerca de 10,7 mil pessoas, segundo dados oficiais iranianos.

A onda de protestos é considerada a maior desde 2009, em meio a uma prolongada crise econômica agravada por sanções internacionais.

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