Política
Deputado aluga pr�dio para governo utilizar como escola
?Fazer segurança pública sem fazer educação, não resolve nada não!?. Foi com esta fala supostamente indignada que o deputado Givaldo Carimbão (PSB) disse ter alertado o governador Teotonio Vilela Filho (PSDB) para a ausência de investimentos no ensino público, diante do constante aumento da violência no Estado de Alagoas, recordista em número de homicídios no Brasil. A conhecida precariedade da maioria das escolas alagoanas, que já não comportam mais seus alunos ? devido àquela falta de investimento na construção de unidades, citada pelo parlamentar ? tem se propagado por uma rede de ensino lastreada no aluguel de prédios particulares para abrigar anexos e extensões das unidades escolares. Não há transparência para explicar o critério de escolha dos prédios, o nome dos proprietários nem os valores pagos. ### Maior escola de União tem 7 extensões | IVAN NUNES - Repórter União dos Palmares ? Mais de 2.500 alunos nos três turnos dividem uma extensão no bairro Vaquejada, pertencente à Escola Salomé da Rocha Barros, a maior unidade de ensino da rede municipal de União dos Palmares situada no bairro Terrenos. Os profissionais que atuam na extensão são contratados e vivem sob risco de perder o emprego. ?A Escola Salomé da Rocha dispõe de cursos desde o primeiro ano até o nono. O bairro cresceu e a escola ficou pequena demais; não existe estrutura nessa escola para que ela possa crescer. Daí, temos sete extensões espalhadas pela região?, diz a diretora da unidade de ensino, Maria Lúcia da Silva. A escola existe há 12 anos, funciona nos três turnos e dispõe de 54 funcionários. ### Estação de trem vira sala de aula Depois de ser surpreendida pela informação do Ministério da Educação (MEC) de que dois mil alunos deixaram de ser informados pela gestão anterior, no Censo Escolar de 2008, Ana Renata Moraes (PMDB), ao assumir o cargo de prefeita de Branquinha, se vê diante de mais um dos obstáculos do desafio que enfrenta para fazer o município se livrar do estigma de já ter sido o campeão de analfabetismo no País. Para administrar os prejuízos da perda de recursos federais para os projetos de ampliação das escolas públicas do município, a prefeita não teve escolha e mantém quatro extensões de duas escolas públicas que possui no centro da cidade, uma das menores do Estado, com quase 12 mil habitantes e mais de três mil alunos na rede pública. ### Aula do lado de fora da sala e em pé | ACÁSSIA DELIÊ - Repórter Maragogi ? Olhando de longe, nem parece uma escola. A fachada alta, de construção bem elaborada, dá a entender que o espaço já foi imponente um dia. Hoje, no entanto, a tinta verde que outrora já coloriu a parede se mistura, quase se esconde, entre tantos remendos e rebocos inacabados. O único espaço que dá vida à aparência de abandono do prédio é um pequeno portão de ferro, fixado num cantinho direito do muro, por onde entram e saem, diariamente, jovens fardados. Olhando de perto, se assemelha ainda menos com uma escola. Um emaranhado de cômodos apertados, deteriorados pela ação do tempo, sugere o que é fato: há muito tempo ninguém olha com o cuidado devido para o lugar. E, enquanto esse tempo vai passando, o anexo da Escola Estadual Batista Acioly, em Maragogi, deixa de ser uma escola, para quem a olha de dentro. ### Falta de estrutura desestimula Os problemas não se restringem à falta de espaço. Salas de aula sem janela e sem sistemas de ventilação ou aparelhos condicionadores de ar impedem qualquer concentração por parte de professores e alunos. No anexo, as salas se entrecruzam e, às vezes, é impossível distinguir onde termina uma turma e onde começa a outra. Um desses cômodos acabou ficando sufocado pelos outros. ?Eu estudei lá no ano passado e a camisa ficava molhada de suor, eu tinha que sair de instante em instante?, lembra Janderson José da Silva, estudante da 2ª etapa do EJA. Este ano, não por escolha, Janderson mudou de sala e agora estuda em pé, por falta de cadeiras. ?É melhor do que o calor?, diz, enquanto outro aluno sugere: ?É bom passar aqui quando tiver uma chuvinha. Aí vai ter fotografia boa?. ### Imóvel traz riscos aos estudantes ?Em virtude da aproximação do período chuvoso em nossa região e, preocupados com a integridade física dos nossos alunos, solicitamos de Vossa Senhoria providências junto à Secretaria de Estado da Educação, com relação à reforma urgente no telhado do Anexo desta unidade escolar, visto que o mesmo não apresenta garantias quanto à segurança dos mesmos?. O ofício está lá, arquivado na pasta de documentos enviados pela direção da Escola Estadual Batista Acioly, e complementado por outro, datado de 8 de maio de 2009, que solicita, além de providências com relação ao telhado do anexo, ?consertos nas instalações elétricas, uma vez que, em algumas áreas, há vazamento de corrente elétrica, colocando em perigo a integridade física? da comunidade escolar. AD ///