Política
Timor vai formalizar esta semana ingresso na CPLP
Brasília ? Mais jovem nação independente do planeta, o Timor Leste vai formalizar, nesta semana, seu ingresso na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), durante a reunião dos chefes de Estado da entidade, que ocorre, em Brasília, na quarta e na quinta-feiras. Apesar disso, somente dentro de dez anos, aproximadamente, o Timor, um pequeno território do arquipélago indonésio, colonizado por Portugal, voltará a ser um país onde se fala majoritariamente o português. A previsão foi feita pelo próprio presidente do Timor Leste, Kay Rala Xanana Gusmão, que iniciou ontem sua primeira visita oficial ao Brasil como dirigente do país, que se tornou independente em maio. Nos últimos três anos, o Timor foi administrado pela Organização das Nações Unidas (ONU), depois da guerra de independência contra a Indonésia, que ocupou o país durante 24 anos. Durante a invasão indonésia, o ensino do português foi proibido e professores foram presos ou expulsos do país. O resultado, segundo Xanana, é que apenas 15% dos 800 mil timorenses falam o português com fluência, a maioria da geração que tem 35 anos ou mais. A maior parte dos habitantes se expressa melhor em dialetos locais ou na língua indonésia, uma variação do malaio. Ontem, durante encontro com o presidente Fernando Henrique Cardoso, no Palácio do Planalto, Xanana pediu a ajuda do Brasil para que o Timor possa recuperar o português ?como um dos elementos da soberania e da identidade nacional?. A idéia, segundo ele, é levar professores brasileiros para ensinar no Timor. Hoje, alguns programas de alfabetização já são feitos com a ajuda da Pastoral da Criança, ligada à Igreja Católica. ?Temos um desafio de longo prazo, que começa nos bancos da escola, de conseguir em dez anos ter uma nova geração falando português?, disse Xanana, em entrevista no Itamaraty. O ensino do português é um dos três pontos de um programa de cooperação entre o Brasil e o Timor Leste, acertado ontem no encontro dos dois presidentes. Os outros dois itens são a formação de recursos humanos e a assistência técnica para desenvolver áreas como agricultura, pecuária, reflorestamento, melhoria de sementes e saúde.