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Voto dos analfabetos preocupa a Justi�a Eleitoral em Alagoas

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Os juízes eleitorais estão preocupados com o voto do eleitorado analfabeto, nas eleições de 6 de outubro e pedem ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE/AL) que intensifique o treinamento dessas pessoas na nova urna eletrônica. Esse, inclusive, foi um dos principais temas abordados durante a I Reunião dos Juizes Eleitorais, realizada ontem, no auditório do órgão, com a presença dos 53 juízes eleitorais do Estado, com o objetivo de esclarecer a eles toda a logística das eleições deste ano. O vice-presidente do TRE/AL, desembargador José Fernandes Holanda Ferreira, que está assumindo o cargo de presidente interinamente, concordou com os colegas e afirmou que reconhece que quanto mais o eleitor treinar, mais rápida será a votação. ?Inclusive, a agilidade no processo de votação depende, em boa parte, de um bom trabalho de divulgação?, disse, acrescentando que a permissão do uso da ?cola? no dia da votação, é o meio mais fácil de o eleitor votar. A juíza eleitoral da 47ª Zona Eleitoral, em Campo Alegre, Francisca Arlinda, afirmou que na 47ª Zona, há 18 mil eleitores, sendo que seis mil são analfabetos. ?A lei permitiu o voto dos analfabetos, mas a verdade é que eles não sabem votar. Por isso, o número de votos nulos é um absurdo. Com tantos candidatos (seis ao todo) o eleitor analfabeto vai chegar ao terceiro voto e se perder completamente?, ressaltou, acrescentando que é contra o voto do analfabeto. ?Porém, se ele foi aprovado pela Legislação Eleitoral, temos que acatar e solicitar que o treinamento dado a essas pessoas seja intensificado pelo tribunal?, completou. Segundo dados do TRE/AL, no interior do Estado 12,89% do eleitorado já treinou na nova urna, mas o órgão entende que é preciso muito mais que isso. ?O sistema de treinamento deve ser melhorado?, concordou o presidente em exercício do órgão, José Fernandes Holanda. Por isso mesmo, o tribunal está realizando parcerias com empresas e instituições de ensino, estudantes e com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), com a utilização do Prevmóvel, unidade móvel da previdência que presta serviços à população como inscrição de novos segurados, aposentados, pensões e outros serviços, e que também dispõe de uma urna instalada para treinar o eleitor. ?A unidade já percorreu municípios como Colônia Leopoldina, Novo Lino, Flexeiras e Marechal Deodoro, nos quais cerca de 1.200 eleitoras foram treinados. Ontem, outros municípios também começaram a ser contemplados com os serviços do Prevmóvel, como Jequiá da Praia, Feliz Deserto, Igreja Nova, Coruripe e Piaçabuçu?, explicou a técnica judiciária Ivonete Martini, da Comissão de Divulgação do Voto, do TRE/AL. Simuladores Uma outra questão discutida durante a Reunião dos Juízes Eleitorais, no Tribunal Regional Eleitoral (TRE/AL), foi a utilização dos chamados simuladores eletrônicos por candidatos, com o objetivo de treinar seus próprios eleitores. Muitos juízes presentes ao encontro foram contra esse método, por entender que é obrigação da Justiça Eleitoral executar esse treinamento junto ao eleitorado. ?O TRE/AL não pode permitir que candidatos tenham projeto similar a uma urna eletrônica, para ensinar analfabeto a votar. Aliás, sobre a questão do voto do analfabeto, considero que só traz benefício para os políticos?, afirmou a juíza da 3a Zona Eleitoral, Elizabeth Carvalho Nascimento. Segundo ela, a responsabilidade por esse tipo de serviço é de exclusividade do tribunal. O vice-presidente do órgão, desembargador José Fernandes Holanda Ferreira, lembrou que o uso dos simuladores de urna vai de encontro à Resolução 13.412, de 5 de junho de 2000, que proíbe a utilização desse tipo de equipamento, por considerar, entre outros aspectos, que pode confundir o eleitor quando do manejo da urna eletrônica oficial. ?Concordo que o TRE deve proibir o uso dos simuladores por candidatos, pois eles só vão ensinar os eleitores a votar neles próprios?, observou, acrescentando que ainda de acordo com a Resolução, os simuladores eletrônicos de votação que vierem a ser utilizados nas eleições serão imediatamente apreendidos, sem prejuízo das demais sanções administrativas e/ou judiciais. Já o juiz eleitoral da 27a Zona, que compreende os municípios de Mata Grande, Inhapi e Canapi, lembrou que, desde as últimas eleições, tem o conhecimento de que candidatos com maior poder aquisitivo teriam utilizado o equipamento similar à urna eletrônica. Ele não quis, porém, citar nomes. ?Sabemos que muitos candidatos costumam comprar um simulador, que chega a custar R$ 1.400, para treinar seus eleitores. É preciso que a Justiça Eleitoral fique de olho nesses casos?, alertou. Além disso, ele ressalta que os candidatos que não têm condições financeiras para adquirir um equipamento desse tipo ficariam no prejuízo, pois não poderiam ensinar seus eleitores a manusear o aparelho.

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