Eleições
Renan Filho nega acordo com JHC e descarta aliança com Lira
Ministro defende participação do MDB na chapa de Lula e afirma que partido só decidirá o rumo em convenção


O Ministro dos Transportes, Renan Filho (MDB), negou a existência de qualquer acordo político com o prefeito de Maceió, JHC (PL), descartou uma aliança com o deputado federal Arthur Lira (PP) em Alagoas e defendeu que o MDB tenha papel central na chapa do presidente Lula em 2026. As declarações foram dadas em entrevista ao jornal O Globo, publicada nesse fim de semana, e endossam o posicionamento da ala governista do MDB tanto no cenário nacional quanto na disputa local.
No cenário alagoano, Renan Filho rejeitou a ideia de que haja qualquer acordo rompido em razão das indefinições sobre o futuro político de JHC. Ele afirmou que nunca pediu ao prefeito de Maceió que deixasse de disputar cargos majoritários e destacou a força do MDB no Estado, citando o controle de cerca de 80 prefeituras, a maioria da Assembleia Legislativa, duas cadeiras no Senado, o governo estadual e o apoio do Presidente Lula.
Sobre a disputa ao Senado, o ministro foi direto ao afirmar que uma das vagas deve pertencer ao senador Renan Calheiros (MDB), mas ponderou que não é necessário “escalar todo mundo agora”.
Ao comentar a possibilidade de Lula reunir Renan Calheiros e Arthur Lira no mesmo palanque, Renan Filho descartou essa hipótese em Alagoas. Para ele, embora o presidente deva buscar o maior número possível de apoios, isso não significa dividir palanque com Lira, que, segundo ele, votou em Bolsonaro em 2022 e deixou o governo sem ter deixado obras relevantes no estado.
Segundo Renan Filho, o MDB só definirá oficialmente seu caminho eleitoral durante a convenção partidária, mas a ala alinhada ao governo federal tem condições reais de vitória no debate interno. Para ele, o desempenho econômico e social do País fortalece o campo governista e cria um ambiente favorável para a ampliação da base de apoio ao presidente.
O Ministro afirmou que o MDB é peça-chave para a construção de uma frente política mais ampla do que o PT, capaz de ocupar o centro político e isolar o bolsonarismo na extrema direita. Nesse contexto, Renan Filho avalia que a divisão da direita e a retirada de nomes competitivos do campo oposicionista, como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, caminham nessa direção.
Ao tratar da composição da chapa presidencial, Renan Filho reconheceu que lideranças do MDB, como o senador Eduardo Braga, têm razão ao cobrar mais espaço para o partido. Segundo ele, a negociação envolverá não apenas o programa para os próximos quatro anos e a linha econômica, mas também a participação efetiva do MDB no governo e na formação da chapa majoritária. Embora tenha elogiado o vice-presidente Geraldo Alckmin, o ministro confirmou que haverá um novo debate sobre a vice e disse que, como pré-candidato ao governo de Alagoas, participará diretamente dessa discussão, sem descartar a possibilidade de ser um dos nomes que podem compor a chapa.
Na entrevista, Renan Filho também abordou temas nacionais da campanha, como segurança pública, afirmando que a direita tem resultados piores do que gestões anteriores e que o debate será vencido com dados, não com discurso armamentista. Defendeu ainda que o MDB utilize seus melhores quadros, citando a ministra Simone Tebet como nome natural para uma chapa majoritária, sob risco de o partido perder protagonismo.
Ao tratar da agenda do Ministério dos Transportes, o ministro afirmou que, mesmo em ano eleitoral, a pasta manterá o cronograma de concessões. Segundo ele, o governo pode chegar a até 23 leilões em 2026, entre rodovias e ferrovias, com previsão de mais de R$ 400 bilhões em investimentos contratados ao longo de quatro anos, ampliando a infraestrutura e reduzindo a pressão sobre o Tesouro Nacional.
