Eleições
JHC comunica a aliados que vai renunciar para disputar o governo
Em reunião reservada, prefeito avisou bancada e lideranças que deixará o cargo até o dia 4 de abril


O prefeito de Maceió, JHC (PL), avisou à bancada aliada na Câmara Municipal e a outras lideranças políticas, em reunião na região da Barra Nova, em Marechal Deodoro, que pretende renunciar ao cargo dentro do prazo eleitoral para disputar um cargo majoritário nas eleições deste ano.
Segundo o líder do governo na Câmara, vereador Kelmann Vieira (MDB), a decisão foi comunicada de forma clara durante o encontro, com a sinalização objetiva de que o projeto em construção é a candidatura ao governo de Alagoas.
A leitura no meio político é de que, ao comunicar a intenção de renunciar e disputar o governo, JHC busca dar previsibilidade ao grupo, consolidar apoios e reduzir incertezas internas. O prefeito assumiu uma postura de silêncio com a imprensa e de articulações nos bastidores que não são anunciadas ao público.
Com a candidatura de JHC ao governo do Estado, a Prefeitura de Maceió passará a ser comandada pelo vice-prefeito, Rodrigo Cunha (Podemos), numa estratégia planejada pelo prefeito em 2024, exigindo de Rodrigo a renúncia ao Senado, abrindo espaço para a mãe de JHC, Dra. Eudócia Caldas (PL), assumir a cadeira na Casa Maior, sob a promessa de que o vice herdaria o Executivo dois anos depois.
De acordo com o relato feito à Gazeta de Alagoas, JHC informou que deixará a Prefeitura até o dia 4 de abril, prazo limite previsto na legislação eleitoral para desincompatibilização de chefes do Executivo que desejam concorrer a outro cargo. Na reunião, o prefeito também teria pedido apoio da base política ao projeto, reforçando que a decisão faz parte de um movimento planejado e alinhado com as articulações partidárias em curso.
A comunicação aos aliados ocorre em meio a uma sequência de movimentações recentes do prefeito que reforçam o cenário de pré-campanha. Nas últimas semanas, JHC intensificou agendas políticas fora da rotina administrativa, promoveu reuniões para organizar as chapas proporcionais do PL em Alagoas e buscou alinhamento com a direção nacional do partido, em encontro com o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, em Brasília.
Outro gesto que entrou no radar político foi o discurso feito durante a passagem do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva por Maceió, em agenda institucional. Ao elogiar o presidente da República, JHC provocou reações entre setores bolsonaristas do estado, gerando críticas internas e acendendo o debate sobre o posicionamento do PL em Alagoas. Poucos dias depois, o prefeito se reuniu com a bancada do partido para conter ruídos e reafirmar o comando das articulações locais.
Nos bastidores, aliados avaliam que o PL trabalha com a perspectiva de encabeçar uma chapa ao governo de Alagoas, tendo JHC como principal nome. A estratégia passaria pela construção de alianças com outras legendas para a composição da chapa majoritária, especialmente na disputa pelo Senado.
Entre os nomes citados como possíveis candidatos ao Senado pelo grupo estão o deputado federal Arthur Lira (PP), o deputado federal Alfredo Gaspar, atualmente no União Brasil, e o ex-deputado estadual Davi Davino Filho (Republicanos).
No entanto, segundo aliados próximos ao prefeito, a tendência é que o grupo lance o nome de Lira para a disputa ao Senado. Em relação a uma segunda vaga, ainda não há consenso, e interlocutores admitem até a possibilidade de um aceno ao senador Renan Calheiros, que busca a reeleição.
As conversas permanecem em estágio preliminar e devem ganhar intensidade à medida que se aproxima o prazo para filiações e desincompatibilizações.
