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LEGISLATIVO

Rui denuncia servidores fantasmas com salários de até R$ 17 mil na Câmara

Segundo vereador, lista inclui esposa de ex- prefeito do interior e jovem que até junho recebia Bolsa Família

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Segundo Rui Palmeira, há servidores comissionados da Câmara de Maceió que não dão expediente
Segundo Rui Palmeira, há servidores comissionados da Câmara de Maceió que não dão expediente | Foto: Dicom CMM

A denúncia caiu como uma bomba no plenário da Câmara Municipal de Maceió, ontem (10). Em um discurso de sete minutos, o vereador e ex-prefeito Rui Palmeira (PSD) expôs o que classificou como um esquema de pagamentos milionários a servidores comissionados da Mesa Diretora que, segundo ele, não comparecem ao trabalho. Dos 84 servidores à disposição da Mesa, os salários variam de R$ 5 mil a R$ 17 mil mensais — valores próximos e, em alguns casos, equivalentes aos vencimentos dos próprios vereadores, que recebem, em média, R$ 17,5 mil.

O pronunciamento, feito da tribuna, provocou silêncio entre os 25 parlamentares e constrangimento visível ao presidente da Casa, vereador Chico Filho (PL), que acompanhou a fala em silêncio, com olhar fixo.

“Eles não aparecem na Câmara, nunca os vi”, afirmou Rui Palmeira, ao questionar a existência de servidores que deveriam assessorar a Mesa Diretora, mas que, segundo ele, não cumprem expediente nem prestam qualquer serviço efetivo.

Rui afirmou que, há mais de seis meses, protocolou requerimentos solicitando informações detalhadas sobre os cargos comissionados vinculados à Mesa, sem obter resposta. Diante do que classificou como “procrastinação” da direção da Casa, decidiu realizar uma investigação por conta própria.

Segundo o vereador, documentos em seu poder indicam que a maioria dos 84 servidores recebe vencimentos entre R$ 15 mil e R$ 17 mil mensais. “É chocante perceber que esses servidores, que deveriam assessorar a Mesa Diretora, simplesmente não aparecem para trabalhar”, disse.

De acordo com as normas internas da Câmara, os cargos comissionados deveriam ser distribuídos por níveis e alocados conforme a demanda de órgãos administrativos, como Procuradoria, secretarias e comissões legislativas. Rui, que preside a Comissão de Direito do Consumidor, afirmou nunca ter contado com profissionais especializados à disposição, apesar da necessidade técnica.

Como exemplo, citou o caso envolvendo a empresa BRK, quando precisou contratar, com recursos próprios, um laudo técnico de engenheiro para comprovar irregularidades no sistema de água e esgoto do bairro Santana Lúcia. “Nunca tivemos esse servidor à nossa disposição”, afirmou.

Em um levantamento por amostragem, Rui revelou nomeações que classificou como “heterodoxas”, incluindo a de uma esposa de um ex-prefeito do interior de Alagoas, com salário de R$ 17 mil. O caso que mais chamou atenção, no entanto, envolve uma jovem de 24 anos, moradora de uma rua sem pavimentação, sem coleta de lixo ou infraestrutura básica no bairro de Ipioca, no litoral norte da capital.

Sem citar o nome, o vereador afirmou que ela consta na folha de pagamento da Mesa Diretora com salário de R$ 15.730 mensais, ao mesmo tempo em que teria recebido o benefício do Bolsa Família até junho de 2025. “Que trabalho essa jovem estaria desempenhando ou que serviço prestava à Mesa Diretora?”, questionou.

Ao final do pronunciamento, Rui Palmeira anunciou que encaminhará toda a documentação ao presidente da Câmara e ao Ministério Público Estadual. “Espero que sejam tomadas as devidas providências antes que seja tarde”, declarou, prometendo divulgar novos detalhes sobre a folha de pagamento.

A denúncia repercutiu rapidamente pelos corredores da Casa. Servidores antigos, com salários entre R$ 4 mil e R$ 7 mil, confirmaram, sob reserva, a existência de servidores fantasmas, embora afirmem desconhecer os valores elevados pagos a alguns comissionados.

Em resposta, o presidente Chico Filho afirmou que, até o momento, não há denúncia formal, apenas um discurso em plenário e uma gravação divulgada nas redes sociais. Disse que, caso Rui apresente provas, a Mesa adotará as providências cabíveis. “Por enquanto, são denúncias por ouvir dizer”, declarou. Sobre o caso da jovem que teria recebido o Bolsa Família, Chico Filho ironizou, afirmando que Rui “carece de atenção” e que seu perfil é “sempre ser contra o parlamento”. Apesar do tom, garantiu que, havendo formalização da denúncia, a Mesa irá apurar os fatos.

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