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Servidores da Câmara de Maceió terão cinco dias para se recadastrar

Portaria fixa período de 23 a 27 deste mês em meio à repercussão de denúncias sobre “funcionários fantasmas”

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Na sessão de ontem, vereadores debateram a construção de monumento na área portuária
Na sessão de ontem, vereadores debateram a construção de monumento na área portuária | Foto: Dicom CMM

A publicação da Portaria 0664/2026 na edição dessa quinta-feira (12) do Diário Oficial do Município determina que todos os servidores efetivos e comissionados da Câmara de Maceió deverão se recadastrar entre os dias 23 e 27 de fevereiro. A medida, assinada pelo presidente da Casa, vereador Chico Filho (PL), não alterou oficialmente a rotina administrativa.

Nos corredores, porém, o ambiente é de desconforto. A iniciativa ocorre em meio à repercussão das declarações do vereador Rui Palmeira (PSD), que denunciou no plenário que 84 servidores vinculados à Mesa Diretora recebem salários entre R$ 4 mil e R$ 17 mil — alguns dos mais altos da estrutura —, segundo ele, “sem trabalhar”.

A portaria estabelece que, no período definido, os servidores deverão comparecer à Superintendência de Pessoal, das 8h às 12h, munidos de documentos pessoais e comprovante de residência, para informar local de lotação, remuneração e atividades exercidas na Câmara ou nos 27 gabinetes parlamentares.

O não comparecimento poderá implicar medidas administrativas, conforme a legislação vigente. Embora apresentada como iniciativa de transparência, a decisão é interpretada como resposta direta à pressão pública provocada pelo discurso da oposição.

A vice-presidente da Mesa, vereadora Silvânia Barbosa (Solidariedade), demonstrou irritação com a repercussão do caso na imprensa. Chegou a afirmar que “há servidores da Casa que deveriam ganhar mais de R$ 17 mil”, mas deixou o local rapidamente, sem detalhar critérios ou justificativas para a remuneração.

Outros integrantes da Mesa também evidenciaram incômodo com a cobertura jornalística, embora tenham evitado rebater frontalmente as acusações no plenário. O silêncio estratégico, nesse contexto, falou mais alto que qualquer discurso.

Rui Palmeira foi além ao classificar parte dos servidores comissionados de maior salário como “fantasmas”. Segundo ele, entre os beneficiados estariam parentes de políticos, esposa de ex-prefeito e até jovens inscritos no Bolsa Família, o que, na avaliação do vereador, configuraria “anomalias profissionais”. Nenhum integrante da Mesa Diretora ou da base governista contestou publicamente as afirmações. A ausência de reação imediata reforçou a percepção de que a crise interna é mais profunda do que se admite oficialmente.

“MÃO DE DEUS”

Na última sessão antes do carnaval, com 24 dos 27 vereadores presentes – dez no plenário e 13 de forma remota –, o clima foi protocolar e contido. Dez matérias foram aprovadas em ritmo acelerado. O momento mais acalorado ocorreu durante críticas da oposição à construção do monumento “Mão de Deus”, na área portuária revitalizada. Vereadores acusaram o prefeito JHC (PL) de investir em projetos “instagramáveis”, copiando ideias de outras cidades e negligenciando a cultura local. Governistas reagiram, afirmando que os críticos não apresentam propostas para Maceió.

Chamou atenção a ausência de Rui Palmeira na sessão. Segundo assessores, o parlamentar tratava de questões pessoais. Em tom de ironia, um deles comentou que o vereador teria dado “trégua” à Câmara. O presidente Chico Filho também acompanhou a sessão de forma on-line, conforme sua assessoria. Ambos evitaram contato com a imprensa, em um momento em que a exposição pública pode ampliar o desgaste político. Enquanto isso, a portaria segue em vigor, e o recadastramento promete testar, na prática, o discurso de transparência que agora pauta o Legislativo municipal.

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