Supremo
Vazamento de conversas reservadas provoca indignação entre ministros
Reunião sobre a relatoria do caso Master vem a público e agrava ambiente de divisão na Corte


Ministros do Supremo Tribunal Federal reagiram com indignação ao vazamento do conteúdo de uma reunião reservada que decidiu, na noite de quinta-feira, pela saída de Dias Toffoli da relatoria das investigações envolvendo o Banco Master.
Segundo relatos de integrantes da Corte, a divulgação das conversas privadas agravou o clima interno e foi classificada por um magistrado como “coisa de moleque”.
A reunião, revelada em detalhes pelo site Poder360, contou apenas com os dez ministros que atualmente compõem o tribunal.
De acordo com a reportagem, sete ministros – Alexandre de Moraes, André Mendonça, Cristiano Zanin, Flávio Dino, Gilmar Mendes, Luiz Fux e Nunes Marques — se manifestaram favoravelmente à permanência de Toffoli no caso. Outros dois ministros, Cármen Lúcia e Edson Fachin, apresentaram ressalvas.
Após a publicação dos diálogos, ministros passaram a questionar a fidelidade do conteúdo divulgado. Houve, inclusive, críticas direcionadas a Toffoli, que negou ter gravado a reunião.
Em entrevista à Folha de S.Paulo, o magistrado afirmou que não registra nem divulga conversas privadas ou institucionais.
Integrantes do STF avaliam que o vazamento aprofundou um ambiente de desconfiança interna que já vinha se formando na Corte, em um cenário comparado ao período pré-pandemia, quando disputas públicas entre ministros eram mais frequentes.
A crise teve início após a Polícia Federal entregar a Fachin um relatório pericial sobre o celular de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. O documento identificou menções ao nome de Toffoli em mensagens encontradas no aparelho.
A informação foi revelada inicialmente por veículos como UOL e confirmada pelo O GLOBO. A partir daí, foi aberto um pedido de suspeição contra o ministro.
Em nota divulgada na quarta-feira, o gabinete de Toffoli afirmou que o pedido de suspeição se baseava em “ilações” e ressaltou que o relatório da PF não apresentava provas concretas.
A reunião de quinta-feira ocorreu após Toffoli rebater formalmente a suspeição e o caso ser encaminhado à Procuradoria-Geral da República.
Durante o encontro, Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes defenderam uma solução rápida para o impasse, preferencialmente antes do carnaval, a fim de evitar maior desgaste institucional. Moraes, segundo o Poder360, também criticou a condução da investigação pela PF, alertando para riscos de nulidades. Nunes Marques, André Mendonça, Cristiano Zanin e Flávio Dino seguiram a mesma linha, argumentando que não havia base jurídica suficiente para o afastamento de Toffoli e que o reconhecimento da suspeição poderia comprometer provas já produzidas.
Apesar da maioria favorável, Toffoli afirmou compreender que havia apoio para sua permanência, mas sinalizou a possibilidade de redistribuição do processo. O encaminhamento foi aceito por Fachin, e a relatoria acabou sendo transferida, por sorteio, a André Mendonça.
REUNIÃO COM A PF
Já como novo relator, Mendonça se reuniu nesta sexta-feira com delegados da Polícia Federal para um “alinhamento de procedimentos” e para compreender o estágio das investigações. A reunião, realizada de forma semipresencial, teve caráter técnico e contou com a participação da delegada Janaína Palazzo, responsável pelos interrogatórios do inquérito.
Nos bastidores, interlocutores do ministro afirmam que a diretriz será de “serenidade e responsabilidade”. A expectativa é que Mendonça evite manifestações públicas iniciais e conduza o caso com discrição, buscando reduzir a turbulência institucional que marcou a fase anterior do processo.
