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Supremo

Juristas questionam condução de inquérito sobre dados vazados

Advogados apontam possível conflito de imparcialidade após decisão de Alexandre de Moraes de relatar investigação

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Para Thiago Bottino, situação é “extremamente problemática”
Para Thiago Bottino, situação é “extremamente problemática” | Foto: Reprodução

Especialistas em direito questionam a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes de conduzir o inquérito que apura o suposto vazamento de dados fiscais de ministros da Corte e de seus familiares. Para os advogados ouvidos ontem pelo portal UOL, embora a investigação possa ter respaldo jurídico, o fato de os próprios integrantes do Supremo figurarem como possíveis vítimas levanta dúvidas sobre imparcialidade e competência.

A decisão de Moraes determinou o cumprimento de mandados de busca e apreensão pela Polícia Federal, além de medidas cautelares contra investigados. Entre elas, afastamento de função pública, quebra de sigilos e restrições de deslocamento.

O professor da FGV Rio Thiago Bottino avalia que a situação é “extremamente problemática” sob o ponto de vista da isenção judicial. Segundo ele, quando o magistrado ou a instituição atua como vítima, a condução do caso deveria ser remetida à primeira instância, já que não há foro privilegiado em razão da vítima.

O professor Rodrigo Alves, que leciona na Universidade Presbiteriana Mackenzie e na PUC-Rio, afirma que questionamentos sobre impedimento ou suspeição são instrumentos previstos no próprio sistema processual e não significam, por si, irregularidade. Ele ressalta que a análise deve ocorrer sob perspectiva estritamente técnica.

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Na mesma linha, o advogado Eduardo Maurício afirma que, embora o Supremo admita investigações internas em hipóteses excepcionais, a sobreposição entre função jurisdicional e interesse direto no caso pode gerar questionamentos quanto à imparcialidade objetiva e ampliar o desgaste institucional da Corte.

O inquérito investiga supostos acessos indevidos a dados fiscais de ministros do STF e familiares. Entre os alvos está o auditor da Receita Federal Ricardo Mansano de Moraes, que afirmou em depoimento preliminar ter acessado de forma “acidental” informações relacionadas a uma enteada do ministro Gilmar Mendes.

Por determinação de Moraes, o auditor foi alvo de busca e apreensão, teve os sigilos bancário, fiscal e telemático quebrados e foi afastado das funções públicas. Ele também deverá cumprir recolhimento domiciliar noturno e aos fins de semana, além de estar proibido de deixar a cidade onde reside. Outros três servidores federais também são investigados no caso.

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