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Prefeitos que saem para disputar governo têm alto índice de derrota

Levantamento nacional mostra que maioria não consegue se eleger após abandonar mandato

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Prefeitos JHC (Maceió), João Campos (Recife) e Eduardo Paes (Rio) vão disputar o governo estadual
Prefeitos JHC (Maceió), João Campos (Recife) e Eduardo Paes (Rio) vão disputar o governo estadual | Foto: Felipe Sóstenes
Imagem ilustrativa da imagem Prefeitos que saem para disputar governo têm alto índice de derrota
| Foto: Agência Brasil
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| Foto: Divulgação

O prefeito de Maceió, JHC (PL), caminha para uma decisão que, historicamente, tem sido marcada mais por derrotas do que por vitórias nas urnas. Um levantamento publicado pelo jornal O Globo revela que, neste século, 70% dos prefeitos de capitais que deixaram o cargo antes do fim do mandato para disputar o governo estadual não conseguiram se eleger. Dos 19 que tentaram, apenas seis lograram êxito.

A estatística impõe um desafio adicional ao projeto político do prefeito da capital alagoana, que já comunicou a aliados a intenção de renunciar até o prazo legal de desincompatibilização, em abril, para disputar um cargo majoritário – com foco principal no governo de Alagoas.

Entre cálculo político, incertezas partidárias e possíveis reacomodações, o prefeito de Maceió se prepara para testar nas urnas se conseguirá contrariar a estatística que, até aqui, tem sido desfavorável à maioria dos prefeitos que interromperam seus mandatos em busca de voos mais altos.

Entre os casos de sucesso lembrados nacionalmente estão os ex-prefeitos João Doria e José Serra, ambos em São Paulo, além de nomes como Wilma Faria (RN), Marcelo Déda (SE), Beto Richa (PR) e Ricardo Coutinho (PB). No entanto, a lista dos que fracassaram é mais extensa e reúne figuras de peso, como Tarso Genro e Alexandre Kalil.

Especialistas apontam que o eleitor tende a enxergar a saída antecipada do cargo como uma “quebra de compromisso” com quem elegeu o gestor para quatro anos. Essa percepção, segundo analistas, costuma pesar negativamente na disputa estadual.

No caso de JHC, o desafio não é apenas estatístico. O prefeito enfrenta um ambiente político ainda indefinido e com variáveis que podem travar ou impulsionar sua candidatura.

Um dos principais fatores é a eventual candidatura do ministro dos Transportes, Renan Filho (MDB), que aparece como nome competitivo ao governo. Interlocutores avaliam que a presença do ministro na disputa pode alterar os cálculos eleitorais e redesenhar alianças.

Além disso, há ruídos partidários. Apesar de o vereador Kelmann Vieira (MDB), líder do prefeito na Câmara de Maceió, ter negado publicamente qualquer intenção de mudança de legenda e garantido que eventual candidatura ao governo será pelo PL, bastidores políticos indicam outra possibilidade: a saída do prefeito do partido.

Reportagem recente do portal Metrópoles apontou que JHC estaria em conversas avançadas para retornar ao PSB, legenda que já comandou em Alagoas. O movimento teria como pano de fundo o receio de que o PL possa apoiar outro nome ao Senado.

PSB ESVAZIADO

Fontes ligadas ao PSB em Alagoas, ouvidas pela Gazeta, afirmam que o partido vive um período de inatividade. Segundo relatos, não há movimentação para formação de chapas proporcionais nem discussão sobre candidaturas majoritárias. O diretório estadual permanece sob comando provisório da atual secretária de Estado do Planejamento, Gestão e Patrimônio, Paula Dantas, filha do governador Paulo Dantas (MDB), com vigência até 31 de março de 2026.

O prazo é estratégico: a data limite para filiação partidária é 4 de abril, mesmo período em que prefeitos precisam deixar o cargo para disputar outro posto eletivo.

Em Alagoas, Maceió tem peso significativo, mas não suficiente para decidir uma eleição estadual isoladamente. A construção de alianças no interior e a consolidação de um palanque competitivo serão determinantes.

Se confirmar a renúncia e a candidatura, JHC apostará que seu capital político na capital, a projeção administrativa e a força nas pesquisas superam a tendência histórica de insucesso. Mas, os números nacionais indicam que a decisão carrega alto risco.

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