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Falta de definição de JHC atrasa palanque de Flávio Bolsonaro em AL

Base bolsonarista atua de forma voluntária enquanto aguarda decisão do prefeito sobre candidatura

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Deputado Cabo Bebeto diz que PL ainda não tem estratégia, pois depende da definição de JHC
Deputado Cabo Bebeto diz que PL ainda não tem estratégia, pois depende da definição de JHC | Foto: Ascom ALE-AL

A indefinição sobre o futuro político do prefeito de Maceió, JHC, no que tange a troca de partido e ao palanque que irá ocupar, tem provocado efeito direto na organização do Partido Liberal (PL) em Alagoas e atrasado a montagem do plano para apoiar a pré-candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Segundo especulações de bastidores, JHC estaria em conversas avançadas para retornar ao PSB, legenda que já comandou.

Embora o nome do parlamentar já circule como principal aposta da legenda para a disputa nacional, no estado o partido ainda não apresentou uma estratégia formal que conecte o projeto local ao desenho eleitoral do Planalto.

Nos bastidores, lideranças alinhadas ao bolsonarismo admitem que, até o momento, a mobilização ocorre de forma espontânea, repetindo o modelo adotado durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Grupos de apoiadores seguem organizando encontros, fortalecendo redes sociais e articulando agendas regionais, mas sem coordenação institucional consolidada pelo diretório estadual.

“Pelo que estou vendo, vai ser como foram todos os anos do Bolsonaro: voluntariado, as pessoas se organizando, os grupos em Alagoas afora. A gente colaborando, tentando organizar também. Mas, estratégia do partido ainda não tem. Falta essa definição do JHC”, afirmou o deputado estadual Cabo Bebeto (PL).

Enquanto o partido aguarda a decisão do prefeito, outros parlamentares também se posicionam publicamente em favor do projeto presidencial. O vereador por Maceió Leonardo Dias (PL) afirmou que estará engajado na campanha.

“Independentemente de como será a composição dos palanques locais, eu estarei na linha de frente da campanha do Flávio Bolsonaro, assim como estive em 2018 e 2022, quando conquistamos o melhor resultado entre as capitais do Nordeste. Nosso desafio é ampliarmos a votação no interior do Estado, onde contaremos com diversos apoiadores locais, sejam da sociedade civil ou da classe política. Tenho certeza que vamos entregar um resultado ainda melhor nestas eleições em nosso Estado. Não conversei com JHC sobre a campanha do Flávio Bolsonaro, mas espero que ele possa estar participando ativamente conosco”, resumiu.

Na Câmara Federal, o deputado Alfredo Gaspar (União Brasil) também declarou apoio. “Flávio Bolsonaro é meu candidato a presidente da República. Estou pronto para ajudar no fortalecimento da candidatura em Alagoas e no Brasil”.

CANDIDATURA

A espera gira em torno da decisão já comunicada por JHC a aliados mais próximos. Em reunião na Barra Nova, no mês passado, o prefeito informou à bancada e a lideranças políticas que pretende renunciar até o início de abril, dentro do prazo de desincompatibilização previsto na legislação eleitoral, para disputar um cargo majoritário. Segundo relatos, o projeto central é a candidatura ao Governo de Alagoas.

Enquanto a renúncia não é oficializada, o PL permanece em compasso de espera. A legenda depende da definição de JHC para estruturar a chapa majoritária, consolidar alianças e alinhar o discurso estadual ao projeto presidencial do partido. A avaliação interna é de que o anúncio formal da candidatura funcionará como marco para reorganizar o partido e apresentar uma estratégia mais clara.

O grupo político liderado pelo prefeito trabalha com a perspectiva de que o PL encabece a disputa ao governo, formando uma frente oposicionista ao campo governista comandado pelo MDB. Nesse desenho, as articulações ao Senado também ganham peso. Três nomes aparecem como postulantes às duas vagas: o deputado federal Arthur Lira (PP), o próprio Alfredo Gaspar (União Brasil) e o ex-deputado estadual Davi Davino Filho (Republicanos).

Há quem aposte, também, que JHC possa avaliar uma candidatura ao Senado para manter a vaga da família, hoje ocupada pela senadora Dra. Eudócia Caldas (PL), sua mãe. Caso o projeto seja o governo estadual, aliados defendem o nome da primeira-dama, Marina Cândia, para disputar uma das cadeiras na Casa Alta.

Para o projeto presidencial de Flávio Bolsonaro, a construção de um palanque competitivo em Alagoas é estratégica. O estado integra uma região historicamente desafiadora para o bolsonarismo em termos eleitorais, o que amplia a importância de lideranças locais com capacidade de mobilização e articulação institucional. Nesse contexto, JHC surge como peça-chave, tanto pela visibilidade administrativa quanto pela presidência estadual do PL.

Enquanto o MDB em Alagoas já se posiciona em defesa da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), consolidando seu projeto nacional, a oposição aguarda a definição que pode reorganizar o tabuleiro político no Estado.

A leitura predominante entre os bolsonaristas alagoanos é de que, até a formalização da renúncia de JHC, o partido seguirá sustentado por uma militância ativa, mas sem direção unificada. A partir da confirmação da candidatura ao governo, o PL deverá apresentar uma estratégia integrada, articulando o palanque estadual à campanha presidencial de Flávio Bolsonaro e consolidando sua posição no cenário eleitoral alagoano.

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