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MDB usa convenção para ajustar discurso e 2º voto ao Senado

Encontro cartorial deve servir para alinhar quase 80% dos prefeitos filiados para fidelidade ao grupo

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Convenção do MDB deve reconduzir o senador Renan Calheiros à presidência estadual do partido


Mesa: 
presidente da CAE, senador Renan Calheiros (MDB-AL). 

Foto: Saulo Cruz/Agência Senado
Convenção do MDB deve reconduzir o senador Renan Calheiros à presidência estadual do partido Mesa: presidente da CAE, senador Renan Calheiros (MDB-AL). Foto: Saulo Cruz/Agência Senado | Foto: Saulo Cruz

A convenção estadual do MDB em Alagoas, marcada para o próximo dia 2 de março, na sede do partido, no bairro da Jatiúca, em Maceió, tem tudo para cumprir um rito meramente cartorial. No papel, o encontro servirá para eleger o novo Diretório Estadual, a Comissão de Ética, os delegados à Convenção Nacional e os diretórios dos núcleos de Mulher e Juventude.

Na prática, porém, o evento pode se transformar em um momento de diálogo mais franco – e até de cobrança – com os prefeitos da legenda.

A recondução de Renan Calheiros à presidência estadual do partido é dada como certa. O ato ocorrerá entre 9h e 15h, com presença confirmada do senador, além de deputados estaduais e federais, vereadores, prefeitos e outras lideranças. A formalidade estatutária, no entanto, ocorre em um contexto político sensível para o MDB.

Hoje, a sigla é, numericamente, a maior força organizada de Alagoas. Comanda o governo do Estado, tem ampla maioria na Assembleia Legislativa, mantém representação na Câmara dos Deputados e ocupa duas das três cadeiras do Senado. No âmbito municipal, reúne cerca de 80 dos 102 prefeitos alagoanos — algo próximo de 80% do total — além de forte presença nas câmaras de vereadores e diretórios estruturados em praticamente todos os municípios.

É justamente esse capital político que estará no centro das discussões. A direção estadual quer endossar o alinhamento interno para as eleições deste ano, sobretudo na disputa ao Senado. O primeiro voto do grupo tende a ser direcionado, de forma natural e quase obrigatória, à reeleição de Renan Calheiros. A indefinição gira em torno do segundo voto.

Nos últimos meses, prefeitos filiados ao MDB têm aparecido publicamente ao lado do deputado federal Arthur Lira (PP), sinalizando apoio ou, ao menos, simpatia ao projeto do parlamentar de disputar o Senado. A movimentação tem gerado desconforto na cúpula emedebista.

Renan Calheiros já deixou claro, em declarações públicas, que não admite qualquer tipo de composição com Lira, ainda que não formalizada. A rivalidade política entre os dois é antiga e estruturante no cenário alagoano. Para o comando do MDB, a ideia de prefeitos do partido dividirem apoio na majoritária fragiliza o discurso de unidade e pode comprometer a estratégia eleitoral do grupo.

Arthur Lira, por sua vez, tem mantido postura cautelosa. O deputado evita tratar diretamente da disputa com Renan e justifica que mantém relação institucional e política consolidada com prefeitos de diversos partidos, construída ao longo dos anos por meio de articulação e apoio aos municípios. O silêncio estratégico evita o confronto aberto, mas mantém o cenário de tensão nos bastidores.

Diante desse quadro, a convenção estadual pode assumir duas vertentes centrais. A primeira é a articulação interna para definição do segundo nome do grupo ao Senado, fechando o desenho da chapa majoritária. A segunda, e talvez mais imediata, é um “puxão de orelha” nos prefeitos, no sentido de que se posicionem de forma mais explícita ao lado do MDB e afastem a sinalização de apoio a um adversário direto do partido.

O discurso oficial deverá enfatizar organização, fortalecimento partidário e preparação para o próximo ciclo eleitoral. Internamente, entretanto, a expectativa é de um recado claro: sendo maioria no estado, o MDB espera fidelidade política e alinhamento estratégico de suas principais lideranças municipais.

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