Política
Estudantes falam em desistir do Jornalismo
O dia 17 de junho de 2009 entrou para a história da imprensa brasileira. Jornalistas e pretendentes a jornalistas em todo o País acabam de receber a decisão do Supremo Tribunal Federal, que na última quarta-feira extinguiu do Decreto nº 972/69, o inciso 5º do artigo 4º, que exigia o diploma como pré-requisito para o exercício da profissão. Em Alagoas, estudantes que já ingressaram e que acabaram de passar no vestibular pensam em desistir da faculdade. As instituições de ensino tentam acalmar seus alunos. O debate sobre o tema tomou o espaço das aulas. Entidades que representam a categoria organizam calendários de reuniões para pensar em alternativas e manter intocáveis as conquistas trabalhistas. ### Coordenadores tentam conter ânimos Para os coordenadores dos três cursos superiores de Jornalismo cadastrados pelo Ministério da Educação em Alagoas, o momento é de tranquilizar os estudantes e convencê-los de que, mesmo sem a obrigatoriedade do diploma para ingressar no mercado de trabalho, a qualificação continua sendo importante. No Cesmac, nesta segunda-feira à noite, 22, já está marcada uma reunião entre alunos e professores da instituição. ?Estamos fazendo as mesmas indagações que o resto do País?, disse a coordenadora do curso de Comunicação Social do Cesmac, professora Cristina Brito. ?Convidamos o pessoal do sindicato para participar da reunião e tirar nossas dúvidas. Alguns estudantes até pensaram que era o fim do curso. Teve aluno que até chorou com a notícia?. ### TRECHOS DO VOTO DO MINISTRO GILMAR MENDES ?A profissão de jornalista, por não implicar riscos à saúde ou à vida dos cidadãos em geral, não poderia ser objeto de exigências quanto às condições de capacidade técnica para o seu exercício. Eventuais riscos ou danos efetivos a terceiros causados pelo profissional do jornalismo não seriam inerentes à atividade e, dessa forma, não seriam evitáveis pela exigência de um diploma de graduação?. ?O jornalismo despreparado diferencia-se substancialmente do jornalismo abusivo. Este último, como é sabido, não se restringe aos profissionais despreparados ou que não frequentaram um curso superior. As notícias falaciosas e inverídicas, a calúnia, a injúria e a difamação constituem grave desvio de conduta e devem ser objeto de responsabilidade civil e penal. Representam, portanto, um problema ético, moral, penal e civil, que não encontra solução na formação técnica do jornalista. Dizem respeito, antes, à formação cultural e ética do profissional, que pode ser reforçada, mas nunca completamente formada nos bancos da faculdade?. ### Fenaj convoca sindicatos da categoria Presidente do Sindicato dos Jornalistas de Alagoas, Valdice Gomes informou que a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) convocou todos os sindicatos da categoria para uma reunião em São Paulo no próximo dia 17 de julho. Por ter sido tomada na instância máxima da Justiça, a decisão do Supremo Tribunal Federal pela não obrigatoriedade do diploma no exercício da profissão é irreversível. Cogita-se a ideia de elaborar um Projeto de Emenda Constitucional que torne o diploma outra vez obrigatório no Brasil, mas nada está decidido. Na última sexta-feira, o ministro das Comunicações, Hélio Costa, se posicionou contrário à decisão dos ministros do Supremo. Já o deputado federal Miro Teixeira (PDT/RJ) se colocou à disposição para propor projeto de regulamentação da profissão de jornalista na Câmara, em Brasília. ///