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Vereadores cobram revisão de políticas para crianças com TEA em Maceió

Parlamentares aprovaram moção de pesar pela morte de duas crianças

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Em menos de 15 dias, duas tragédias mergulharam Maceió em luto e indignação. Antônio Gabriel, de cinco anos, foi encontrado em um córrego no bairro do Feitosa, na semana passada. Ontem, o corpo de Arthur Oliveira, de seis anos, foi localizado em um açude próximo ao conjunto Parque dos Caetés, no populoso bairro do Benedito Bentes.

Ambos estavam dentro do Transtorno do Espectro Autista (TEA). As mortes por afogamento não apenas comoveram grande parte dos 1,4 milhão de maceioenses, como também reacenderam um debate urgente sobre responsabilidade pública, inclusão e prevenção.

Os dois casos repercutiram no plenário da Câmara Municipal de Maceió, onde vereadores da base governista e da oposição cobraram a revisão e a adequação de políticas públicas voltadas à proteção e ao lazer de crianças e adolescentes com TEA.

Os 24 parlamentares presentes aprovaram moção de pesar, proposta pelo vereador Allan Pierre (MDB), à família de Arthur, que passou dois dias em busca do filho desaparecido antes de receber a confirmação da pior notícia.

Ao lamentar o caso, Allan Pierre, cuja base política está no Benedito Bentes, apontou falhas estruturais e responsabilizou uma empresa de saneamento que atua na parte alta da cidade pela ausência de barreiras de proteção no entorno de açudes. “Arthur, na ingenuidade, saiu de casa para brincar e desapareceu. No local não havia nenhuma estrutura de segurança para evitar a morte. Esta não é a primeira criança que morre nesses açudes em Maceió”, declarou. O vereador informou ter mobilizado sua assessoria para mapear os açudes da capital e encaminhar indicação à prefeitura cobrando fiscalização e instalação de equipamentos de segurança, sobretudo em áreas próximas a rios e reservatórios.

A discussão, no entanto, foi além da infraestrutura urbana. O vereador Charles Hebert (PCdoB) destacou que a pauta das crianças com TEA “está na ordem do dia” e exige políticas permanentes.

O discurso mais incisivo partiu do vereador Thiago Prado (PP), que lembrou que o Brasil tem cerca de 2,4 milhões de pessoas diagnosticadas com o transtorno – aproximadamente 1,2% da população –, com predominância em crianças de até oito anos. Segundo ele, uma a cada 38 crianças nascidas no País recebe diagnóstico de TEA. “Duas mortes em 14 dias exigem reflexão. Pode ter havido um descuido momentâneo, mas é preciso discutir a ausência de políticas públicas adequadas”, afirmou.

Thiago Prado defendeu a readequação das políticas municipais para garantir melhor acolhimento nas escolas e a criação de áreas de lazer adaptadas, capazes de reduzir riscos decorrentes de alterações sensoriais e comportamentais comuns no espectro. Ele lembrou que foi aprovada indicação de sua autoria para a construção da primeira praça sensorial da capital, destinada a pessoas com TEA.

Aliado do prefeito JHC, o vereador reconheceu avanços da gestão, como o anúncio da futura Casa do Autista, que deverá atender crianças e jovens de dois a 18 anos. O município abriu seleção para profissionais como neuropediatra, psicólogos, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e assistentes sociais, com salários entre R$ 2,5 mil e R$ 10 mil. O processo seletivo está previsto para ocorrer até 27 de março.

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