Presença
Mulheres dominam eleitorado, mas ainda são sub-representadas na política
Elas são minoria nas prefeituras, câmaras, na Assembleia Legislativa e na bancada federal de Alagoas
Embora sejam maioria na população e no eleitorado brasileiro, as mulheres ainda ocupam espaço reduzido nas estruturas de poder político. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que elas representam cerca de 51,5% da população do País, enquanto números do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que também são maioria entre os eleitores, com 52,5% do total.
Apesar desse peso demográfico e eleitoral, a presença feminina na política permanece limitada. Entre os 27 estados brasileiros, apenas duas mulheres governam atualmente: Raquel Lyra, em Pernambuco, e Fátima Bezerra, no Rio Grande do Norte. No Congresso, a bancada feminina soma 107 parlamentares, cerca de 19% do total. Na Câmara dos Deputados são 91 deputadas, enquanto no Senado Federal apenas 16 das 81 cadeiras pertencem a mulheres, entre elas a Dra. Eudócia Caldas (PL).
Nos parlamentos estaduais, o quadro pouco difere. Nas eleições de 2022, segundo o TSE, foram eleitos 995 deputados estaduais e distritais, mas apenas 190 são mulheres, cerca de 18% do total. Em Alagoas, a sub-representação também chama atenção: na Assembleia Legislativa, apenas cinco das 27 cadeiras são ocupadas por mulheres.
A mesma realidade se repete nos 5.570 municípios brasileiros, onde apenas 13%, ou seja, 727 cidades têm prefeitas, segundo a Confederação Nacional de Municípios.
No Legislativo municipal, a desigualdade também é evidente. Das 58 mil vagas de vereadores nas 5.570 cidades brasileiras, apenas 10,6 mil são ocupadas por mulheres, o que representa 18,1% do total. Em Alagoas, o percentual é ainda menor: 145 mulheres entre 1.090 vereadores eleitos (13,3%). Em Maceió, apenas cinco das 27 cadeiras da Câmara Municipal são ocupadas por mulheres.
Apesar da minoria numérica, elas exercem forte protagonismo político e são reconhecidas pela atuação firme no plenário. Uma dessas vozes é a vereadora Silvânia Barbosa (Solidariedade), em seu quinto mandato e atualmente vice-presidente da Câmara de Maceió, conhecida por discursos contundentes contra o machismo. Ela relativiza o número reduzido de mulheres no parlamento municipal. “Ao longo dos anos estamos mostrando que a mulher vota em mulheres para defender as nossas causas”, afirmou. Para Silvânia, a qualidade da atuação feminina compensa a desigualdade numérica.
A vereadora Jeannyne Beltrão (PL), que está no primeiro mandato e já foi prefeita de Jequiá da Praia, ressalta que o problema começa antes das eleições. “Difícil é encontrar mulheres que queiram entrar na política”, afirmou. “A mulher para se eleger trabalha dobrado para convencer o eleitor”.
Jeannyne também critica o modelo de cotas partidárias de 30% para candidaturas femininas, afirmando que muitas vezes a medida reforça preconceitos: “Quando o eleitor vê uma candidata, logo diz que ela só está ali por causa da cota”.
Outras parlamentares de Maceió também defendem maior presença feminina nas instituições. A médica e vereadora Fátima Santiago (MDB) costuma repetir que “lugar de mulher é onde ela quiser estar”, enquanto a presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, Olívia Tenório (PP), afirma que a baixa presença feminina prejudica a defesa de direitos. “Menos mulheres nas casas legislativas significa menos votos para as nossas causas”, diz.
Já a jovem vereadora Teca Nelma (PT) lembra que o 8 de março é um marco de luta e não apenas de homenagem. “Não é um dia para flores, mas para lembrar mulheres que deram a vida para que hoje tivéssemos um pouco mais de liberdade”, afirmou.
Entre números, discursos e disputas políticas, a realidade revela um paradoxo persistente: as mulheres são maioria no país e nas urnas, mas ainda lutam para transformar essa força demográfica em poder político efetivo, observam as vereadoras Silvânia Barbosa e Olívia Tenório.