Eleições
Janela partidária deve redesenhar cenário político em Alagoas
Analista político Marcelo Bastos projeta movimentações de lideranças e novos arranjos partidários no Estado


A abertura da chamada janela partidária volta a movimentar os bastidores da política em Alagoas e deve provocar uma reconfiguração nas alianças e nas estratégias eleitorais para as próximas eleições. Com prazo que se estende até o início de abril, o período permite que parlamentares mudem de partido sem risco de perder o mandato, o que intensifica negociações e rearranjos entre as principais lideranças do estado.
Segundo regras do Tribunal Superior Eleitoral, a janela partidária é um mecanismo previsto na legislação eleitoral que autoriza a troca de legenda por parlamentares eleitos no sistema proporcional — como deputados federais e estaduais — dentro de um período específico antes das eleições.
Durante essa fase, esses parlamentares podem migrar para outra sigla sem sofrer punição por infidelidade partidária. Fora desse intervalo, a mudança pode levar à perda do mandato, caso o partido original questione a saída na Justiça.
O analista político Marcelo Bastos explica que a regra não se aplica a todos os cargos eletivos da mesma forma. “Os parlamentares proporcionais, como deputados federais e estaduais, podem se movimentar nesse período livremente. Já vereadores, se quiserem trocar de partido, precisam da autorização da legenda à qual estão filiados”, explica.
Em Alagoas, uma das definições mais aguardadas envolve o futuro político do deputado federal Alfredo Gaspar. Atualmente filiado ao União Brasil, Gaspar tem sido citado como possível candidato ao Senado. No entanto, segundo Bastos, a permanência dele na legenda dependerá diretamente do espaço disponível dentro da federação formada pelo União Brasil com o Progressistas.
Nesse cenário, o nome mais forte para disputar o Senado pela federação seria o do deputado federal Arthur Lira.
“Se Alfredo decidir disputar o Senado, pode não encontrar espaço dentro da federação com o PP, onde a candidatura mais natural seria a de Arthur Lira. Nesse caso, ele poderia buscar outra legenda para viabilizar o projeto”, analisa Bastos. Entre os caminhos possíveis estariam o Partido Liberal, caso haja alinhamento com o prefeito de Maceió, ou até mesmo o Partido Novo e o Podemos.
Outro fator que influencia diretamente o xadrez partidário é a definição do prefeito de Maceió, JHC, sobre disputar ou não o governo de Alagoas. Segundo o analista, caso o prefeito confirme candidatura ao Executivo estadual, a formação da chapa pode atrair lideranças interessadas em disputar o Senado ou vagas na Câmara Federal. “Se JHC for candidato ao governo, é possível que alguns nomes busquem se alinhar a esse projeto. Isso pode influenciar diretamente a escolha de partidos e alianças”, afirma.
CÂMARA FEDERAL
Além da disputa majoritária, a janela partidária também provoca ajustes nas chapas proporcionais para deputado federal. Entre as movimentações citadas pelo analista está a possível filiação do empresário Gustavo Lima ao PL. Ele foi candidato a deputado federal na eleição passada pelo PSD e obteve mais de 37 mil votos. Segundo Bastos, a mudança poderia ocorrer diante da perspectiva de fortalecimento da chapa federal do partido, que também poderia contar com a candidatura da primeira-dama de Maceió, Marina Cândia.
A eventual candidatura dela, avalia o analista, teria potencial eleitoral significativo, principalmente na região metropolitana de Maceió. “Caso seja candidata a deputada federal, Marina pode ultrapassar a marca de 100 mil votos, considerando a base política construída pelo prefeito na capital e na região metropolitana”.
“Estamos vivendo um momento de muitas dúvidas e incertezas. As definições devem acontecer mais próximas do prazo final, quando os atores políticos entenderem qual é o cenário mais confortável para cada projeto eleitoral”, conclui Bastos.
Até lá, a janela partidária segue aberta e, com ela, a possibilidade de novas alianças, mudanças de legenda e reconfigurações no tabuleiro político alagoano.
