Eleições
Entre silêncio, obras e articulações, JHC vive mês decisivo para eleições
Lira reafirma apoio ao prefeito para o governo e diz que projeto para 2026 é construído desde eleições passadas


O prefeito de Maceió, JHC (PL), atravessa um momento decisivo de sua trajetória política. A menos de um mês do prazo final de desincompatibilização estabelecido pela Justiça Eleitoral (4 de abril), o gestor mantém silêncio público sobre seu futuro eleitoral, enquanto aliados apontam que a decisão de deixar o cargo para disputar uma eleição majoritária já estaria tomada nos bastidores.
Mesmo diante das declarações e das movimentações políticas, JHC segue sem confirmar oficialmente qual cargo pretende disputar. Nos bastidores, interlocutores próximos ao prefeito afirmam que a estratégia tem sido manter a cautela pública enquanto articulações partidárias e eleitorais são consolidadas.
Entre agendas administrativas, inaugurações e reuniões políticas, o gestor terá poucas semanas para formalizar a decisão. Até o início de abril, a escolha deverá ser anunciada – e ela tem potencial para redefinir o cenário da disputa pelo governo de Alagoas nas eleições deste ano.
A movimentação política ocorre paralelamente a uma intensificação da agenda administrativa na capital alagoana. Nesta semana, o chefe do Executivo anunciou que a gestão municipal vai entregar cerca de 60 obras nos próximos dias, em diferentes áreas da cidade, dentro de um pacote de ações que simboliza a reta final de um ciclo administrativo.
Segundo JHC, as intervenções fazem parte de um conjunto de projetos planejados ao longo dos últimos anos e que agora chegam à fase de conclusão. Ele afirma que a cidade vive um momento de consolidação administrativa após um período de reorganização financeira e estrutural do município.
De acordo com ele, obras consideradas históricas para a capital começaram a sair do papel após a estruturação da gestão municipal, permitindo ampliar investimentos e acelerar a execução de projetos.
Entre as iniciativas citadas pelo prefeito estão o programa de recuperação ambiental e urbanística do Salgadinho, a requalificação do Mercado da Produção, além de projetos como a Rota do Mar, o Parque da Lagoa e a implantação de novos equipamentos de saúde, incluindo hospital e maternidade.
JHC também ressaltou que o segundo mandato ocorre em um ambiente administrativo mais organizado, o que teria ampliado a capacidade de investimento do município. Segundo ele, a prefeitura conseguiu estruturar projetos, realizar licitações e planejar intervenções que agora começam a ser materializadas, permitindo executar obras consideradas antigas demandas da população.
Nos bastidores políticos, no entanto, a agenda intensa de inaugurações tem sido interpretada como um sinal de despedida do cargo. Caso confirme a saída até o início de abril, o comando do Executivo municipal passará para o vice, Rodrigo Cunha (Podemos), que assumiria a gestão da capital até o fim do mandato.
REUNIÃO EM BRASÍLIA
Outro movimento que reforçou as especulações ocorreu na quinta-feira (5), quando JHC esteve em Brasília para uma reunião com o presidente nacional do Partido Liberal, Valdemar Costa Neto, e com o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL à Presidência da República. O encontro contou com a presença da senadora Dra. Eudócia Caldas (PL), mãe do prefeito.
Em publicação nas redes sociais, a senadora afirmou que a reunião foi produtiva e destacou que o diálogo tratou de temas importantes para o futuro de Alagoas e do País, apontando caminhos para ampliar o desenvolvimento e melhorar as perspectivas da população.
Nos bastidores políticos, porém, o encontro foi interpretado como parte da articulação para alinhar o projeto eleitoral com a direção nacional da legenda.
No mesmo dia, o senador Flávio Bolsonaro também esteve na sede do partido, participando de agendas relacionadas à janela partidária e à ampliação das filiações da sigla.
Nos últimos dias, circularam ainda informações de que a direção nacional do PL teria cobrado de JHC uma posição mais clara sobre seu projeto político diante da proximidade do calendário eleitoral – hipótese que chegou a ser negada publicamente por seus aliados e integrantes do campo bolsonarista em Alagoas.
APOIO PÚBLICO
Em meio às articulações, o prefeito recebeu um reforço político relevante no discurso. Em entrevista à Gazetaweb, o deputado federal Arthur Lira (PP) afirmou manter apoio irrestrito à candidatura de JHC ao governo de Alagoas.
Segundo Lira, o projeto político envolvendo o nome do prefeito foi construído ao longo dos últimos anos dentro de um grupo de partidos que articula uma alternativa administrativa para o Estado.
O parlamentar afirmou que a defesa da candidatura de JHC remonta ao processo eleitoral de 2022, quando ele chegou a ser cogitado para disputar o governo, mas optou por permanecer à frente do comando do município.
De acordo com Lira, a composição formada na eleição municipal de 2024 – que incluiu o vice Rodrigo Cunha – também foi pensada para permitir que JHC tivesse condições políticas de disputar o governo nesse ciclo eleitoral.
O deputado ressaltou que há um compromisso político estabelecido entre os dois para a disputa estadual: JHC concorreria ao governo e ele próprio buscaria uma vaga no Senado. Lira afirmou confiar que o acordo será mantido e destacou que o processo político construído até aqui criou expectativas dentro do grupo partidário e também entre eleitores.
