Candidatura
Líder do PL na Câmara de Maceió cobra definição de JHC
Segundo vereador Leonardo Dias, candidatura de JHC é desejo dos partidos da base


A indefinição do prefeito de Maceió, JHC (PL), sobre seu futuro político nas eleições gerais de outubro deixou de ser apenas um tema de bastidores e ganhou, pela primeira vez, o centro do debate público na Câmara Municipal.
A cobrança veio de dentro do próprio partido do prefeito, por meio do líder da legenda no Legislativo municipal, vereador Leonardo Dias, que decidiu transformar a pressão interna em discurso oficial na tribuna da Casa.
A iniciativa expôs não apenas o desconforto entre os aliados, mas também a crescente cobrança de lideranças nacionais da legenda.
Na terça-feira (11), antes da sessão, Dias reuniu os dez vereadores do partido para discutir a situação política e avisou que levaria o tema ao plenário.
Em discurso, afirmou que desde a segunda-feira vinha sendo cobrado por eleitores, dirigentes partidários e pela imprensa sobre qual seria a posição do prefeito. Em tom direto, afirmou levar ao plenário a posição do presidente nacional do partido, Valdemar da Costa Neto, e família Bolsonaro: apoiar JHC como candidato do grupo ao governo de Alagoas.
A fala evidenciou o tamanho da pressão que se acumula sobre o prefeito. Segundo Leonardo Dias, a candidatura de JHC ao governo estadual não seria apenas um desejo dos vereadores liberais, mas também de parlamentares de outros partidos que compõem a base de apoio da gestão municipal. Embora tenha evitado citar nomes no âmbito local, ele apontou para articulações que envolveriam figuras de peso da política nacional e estadual.
Entre os nomes citados estão o deputado federal Arthur Lira (PP), ex-presidente da Câmara dos Deputados, e o também deputado federal Alfredo Gaspar de Mendonça (UB). Segundo o líder do PL, as conversas em curso apontariam para uma chapa majoritária que teria JHC como candidato ao governo, com Gaspar e Lira disputando as duas vagas ao Senado. A narrativa apresentada por Leonardo Dias sugere que o desenho político já estaria em estágio avançado, restando apenas o anúncio oficial do prefeito.
Apesar da pressão pública, o silêncio no plenário foi tão eloquente quanto o discurso. Nenhum dos vereadores do PL presentes pediu aparte, nem mesmo o presidente da Câmara, Chico Filho (PL), considerado um dos principais aliados do gestor municipal. Chico tem defendido nos bastidores que JHC dispute o governo estadual, mas reiterou em outras ocasiões que a decisão cabe exclusivamente ao prefeito, posição que, na sessão, foi traduzida em silêncio.
Enquanto a base pressiona por definição antes do prazo de desincompatibilização imposto pela Justiça Eleitoral, que se encerra em 4 de abril, o entorno de JHC mantém a ambiguidade. O secretário municipal de Governo, Júnior Leão, afirma que ele será candidato majoritário, mas evita cravar se ao governo ou ao Senado. O resultado é um cenário de incerteza que tensiona aliados e ameaça provocar fissuras no próprio partido, num momento em que a base bolsonarista tenta consolidar um projeto eleitoral competitivo em Alagoas.
