loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
domingo, 26/07/2026 | Ano | Nº 6275
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Política

A ILUSÃO DA PAZ

‘Si vis pacem, para bellum’

(Se queres a paz, prepara-te para a guerra)

Ouvir
Compartilhar

O Brasil construiu, ao longo de décadas, a imagem de uma nação pacífica, diplomática, avessa a aventuras bélicas e orgulhosa de resolver conflitos pela palavra e não pelas armas. Essa tradição é virtuosa e faz parte da nossa identidade histórica. Mas ela foi, aos poucos, confundida com descuido, desleixo e quase abandono da defesa nacional. Hoje, o país que possui dimensões continentais, riquezas estratégicas, fronteiras extensas, uma Amazônia cobiçada e um Atlântico Sul cada vez mais valorizado geopoliticamente investe migalhas em suas Forças Armadas, como se a soberania fosse um detalhe secundário, algo que não rende votos e, portanto, não merece prioridade orçamentária.

Não se trata de opor defesa a políticas sociais. Ninguém em sã consciência é contra investimentos em saúde, educação, combate à fome ou proteção aos mais vulneráveis. O erro está em imaginar que soberania e segurança nacional são luxos supérfluos em um mundo cada vez mais instável. A história mostra, de forma cruel, que países despreparados pagam caro quando o cenário internacional se deteriora – e ele está, sem dúvida, se deteriorando.

Vivemos um tempo de ressurgimento de projetos imperialistas, de líderes autoritários com delírios de grandeza e de potências dispostas a impor sua vontade pela força. A retórica beligerante voltou a ocupar palanques, parlamentos e quartéis. A ameaça à Groenlândia, as tensões permanentes no Oriente Médio, a escalada contra o Irã, a guerra no Leste Europeu e a instabilidade crônica em diversas regiões demonstram que a ordem internacional está longe de ser um terreno sólido.

Soma-se a isso a crise venezuelana, que, embora muitas vezes tratada como problema local, carrega interesses geopolíticos muito maiores do que os discursos oficiais admitem. Não é apenas Maduro, não é apenas um governo em colapso: há potências em disputa, há petróleo, há posições estratégicas e há influência continental em jogo.

Shorts Youtube
Play
Joalheiria é alvo de assalto em plena luz do dia em Teotônio Vilela

Joalheiria é alvo de assalto em plena luz do dia em Teotônio Vilela

Play
Prefeitura remove embarcações e objetos abandonados na orla da Pajuçara

Prefeitura remove embarcações e objetos abandonados na orla da Pajuçara

Play
Operação prende suspeito de tráfico de drogas em Arapiraca

Operação prende suspeito de tráfico de drogas em Arapiraca

Play
Polícia inicia 6ª fase da Operação Cerco Fechado

Polícia inicia 6ª fase da Operação Cerco Fechado

Play
Ação da Semsc remove embarcações e objetos abandonados na orla da Pajuçara

Ação da Semsc remove embarcações e objetos abandonados na orla da Pajuçara

Nesse contexto, acreditar que o Brasil pode se dar ao luxo de permanecer com uma estrutura de defesa sucateada, com projetos estratégicos constantemente adiados e com orçamento comprimido, é uma perigosa ilusão. A paz não se garante apenas com boas intenções. Ela se sustenta também com capacidade de dissuasão, com inteligência, com tecnologia e com Forças Armadas respeitadas e preparadas. Defesa não é sinônimo de guerra; é, antes de tudo, garantia de que a guerra não nos será imposta.

Um país que não cuida de sua defesa abre mão, pouco a pouco, de sua autonomia. Torna-se dependente, vulnerável, refém de interesses externos. Sua diplomacia perde peso quando não é respaldada por capacidade real de proteção de seu território, de suas riquezas e de seu povo. Não se trata de desejar conflitos, mas de estar pronto para que eles não nos alcancem de forma humilhante e irreversível.

O Brasil precisa, mais do que nunca, reencontrar o sentido estratégico de nação. Precisa compreender que soberania não é apenas um conceito bonito nos discursos oficiais, mas uma construção concreta, que envolve investimento contínuo, planejamento de longo prazo e compromisso suprapartidário. A defesa da pátria não pode ser refém de ciclos eleitorais, de populismo fiscal ou de miopia política. É uma política de Estado, não de governo.

Preparar-se não é provocar. Fortalecer-se não é ameaçar. Unir-se em torno da defesa nacional é, sobretudo, afirmar que esta bandeira, este território e este povo não estão à mercê de aventuras imperiais nem de líderes desequilibrados que sonham com poder global a qualquer custo.

O Brasil não precisa da guerra, mas precisa, urgentemente, estar pronto para defender a sua paz.

Relacionadas