Contas públicas
Prefeituras de Alagoas defendem cachê com teto de R$ 500 mil por artista ou banda
Proposta foi discutida ontem durante reunião na AMA


A maioria das 102 prefeituras de Alagoas deve definir até o fim de março um teto para o uso de recursos públicos na contratação de artistas e bandas para eventos festivos.
A proposta, discutida no âmbito da Associação dos Municípios de Alagoas (AMA), prevê limite de até R$ 500 mil por apresentação, diante da alta dos cachês e da pressão de órgãos de controle sobre os gastos públicos.
O presidente da AMA, Marcelo Beltrão, prefeito de Coruripe, e o vice-presidente Jorge Dantas, prefeito de Pão de Açúcar, afirmam que a medida busca equilibrar a tradição das festas municipais com a necessidade de priorizar investimentos em áreas essenciais, como saúde, educação e assistência social. Segundo Beltrão, muitos municípios não conseguem acompanhar a escalada dos valores cobrados por artistas, que em alguns casos saltaram de cerca de R$ 300 mil em 2022 para até R$ 1,2 milhão atualmente.
Para Dantas, quando o cachê ultrapassa determinados patamares, o impacto financeiro deixa de ser justificável para cidades que dependem fortemente de transferências federais. “Acima disso, para muitos municípios, deixa de ser investimento e passa a ser apenas gasto”, afirma.
O debate segue tendência regional. Na Bahia foi definido teto de até R$ 700 mil por show, enquanto Pernambuco e Ceará também discutem limites semelhantes. Em Alagoas, porém, cerca de 95% dos prefeitos consideram esse valor elevado.
A expectativa é que a proposta seja consolidada até 30 de março e posteriormente discutida com órgãos de controle, como tribunais de contas e ministérios públicos. Anualmente, o Tribunal de Contas de Alagoas recomenda que municípios, sobretudo os de menor arrecadação, evitem gastos elevados com shows e priorizem áreas essenciais.
