POLÍTICA
Maceió: a diferença entre o passado e o presente
Quando o discurso se transforma em ação
Há momentos na história de uma cidade em que o contraste entre o passado e o presente se torna tão evidente que já não é possível ignorá-lo. Em Maceió, esse contraste começa a se revelar nas ruas, nos bairros historicamente esquecidos e, sobretudo, nas obras que, por décadas, habitaram apenas os discursos eleitorais.
Promessas sempre foram abundantes na política brasileira. Obras anunciadas com entusiasmo em palanques, repetidas em campanhas sucessivas e esquecidas logo após a apuração das urnas. Em Maceió, durante muito tempo, essa prática tornou-se quase uma tradição política: prometer muito, executar pouco.
Mas a realidade recente da capital alagoana começa a apontar para outra dinâmica. O prefeito JHC, que deverá se afastar do cargo para disputar um novo mandato político, deixa como marca de sua gestão um conjunto de obras estruturantes que, durante décadas, foram prometidas por ex-prefeitos, candidatos e até por governadores, mas jamais saíram do papel. Não se trata de pequenas intervenções urbanas. São projetos que alteram a lógica da cidade e carregam forte simbolismo político e social.
A Rota do Mar, por exemplo, é mais do que uma obra de mobilidade. Representa uma nova integração urbana e turística, abrindo caminhos para o desenvolvimento econômico e para a valorização de áreas que, por muito tempo, permaneceram isoladas da dinâmica central da cidade.
Outra transformação significativa ocorre no Vale do Reginaldo, um dos territórios mais populosos e socialmente vulneráveis da capital. Durante décadas, a região foi lembrada apenas nas promessas eleitorais e nas estatísticas da desigualdade. Hoje, começa a viver um processo de requalificação urbana que busca devolver dignidade a milhares de moradores.
O mesmo se aplica ao Vergel do Lago, bairro historicamente marcado pelo abandono estrutural e pela ausência de políticas públicas consistentes. Ali, a intervenção urbana não é apenas física — é também simbólica. Trata-se do reconhecimento de que as periferias não podem continuar sendo tratadas como territórios invisíveis dentro da cidade.
Outro capítulo relevante dessa transformação é o Mercado da Produção, espaço vital para a economia popular de Maceió. Durante anos, comerciantes, feirantes e consumidores conviveram com problemas estruturais que pareciam permanentes. A modernização e a reorganização daquele espaço representam respeito ao trabalhador informal e à economia que sustenta milhares de famílias.
Mas talvez nenhuma obra seja tão emblemática quanto a despoluição do Riacho Salgadinho, dentro do projeto Renasce. Por décadas, o Salgadinho foi o símbolo mais evidente da negligência ambiental em Maceió. Um riacho que se transformou em canal de esgoto a céu aberto, desaguando no mar da capital e comprometendo uma das áreas mais valiosas da cidade.
Governos passaram. Prefeitos vieram e foram. Promessas se acumularam. Projetos foram anunciados, esquecidos, retomados e novamente abandonados.
O Salgadinho tornou-se uma metáfora do fracasso administrativo. O projeto Renasce já é apontado como a maior obra ambiental da história de Maceió.
Ao entregar obras estruturantes e deixar outras em execução, o prefeito JHC estabelece um fato político difícil de ignorar nos próximos debates eleitorais: quando há decisão, é possível fazer. Essa talvez seja a principal diferença entre o passado e o presente. Não se trata apenas de gestão administrativa. Trata-se de credibilidade política.
Num país em que a desconfiança política cresce a cada eleição, obras concretas tornam-se a forma mais eficaz de reconstruir a confiança da população. Porque, no fim das contas, cidades não se transformam com discursos. Transformam-se com decisões, planejamento e coragem de enfrentar problemas históricos.
Muda-se não apenas a paisagem urbana, mas também a percepção que os maceioenses passam a ter de sua própria cidade.
Quando a história recente de Maceió for analisada, talvez este momento seja lembrado justamente por isto: pela diferença entre aquilo que, durante décadas, foi promessa e aquilo que começou a se tornar realidade.
E a conclusão é inevitável: nesse caso, quem fez foi JHC.