Política
O homem que mudou a Constitui��o
Não dá para mensurar a quantidade de vezes que o nome dele apareceu na imprensa local desde o dia 26 de maio, quando o plenário da Assembleia Legislativa acompanhou ? alguns atônitos ? a leitura da proposta de emenda constitucional que mudaria o artigo da Carta Magna de Alagoas que define o preenchimento de vagas para conselheiro do Tribunal de Contas do Estado. A mudança havia sido antecipada pela Gazeta em sua edição do dia 26, a mesma data em que a proposta foi levada a plenário, mas até aquela hora ainda era vista por integrantes do parlamento, como algo ?improvável? de ocorrer. Imóvel, Fernando Toledo (PSDB), o presidente do Legislativo, acompanhava a leitura da PEC, feita por um de seus aliados, o 1º secretário Jota Cavalcante (PDT), do alto da Mesa Diretora. ### Acordo político cumprido à risca Meses depois de assumir seu primeiro mandato de deputado estadual, em janeiro de 2007, o industrial Fernando Ribeiro Toledo, 52, natural de Cajueiro, onde foi prefeito por duas vezes, se viu às voltas com uma situação que ele preferia não ter enfrentado nem de sonho. A Polícia Federal descobriu um esquema milionário de desvio de recursos que resultou no afastamento de dez deputados e a destituição de toda a Mesa Diretora da Assembleia. Toledo, que à época já tinha como destino certo o Tribunal de Contas, foi conduzido à presidência da ALE, onde se mantém. Em meio a críticas, prepara-se para deixar o parlamento e assumir o cargo de conselheiro, graças a uma emenda à Constituição de Alagoas. Toledo se diz preparado para ocupar o cargo vitalício e afirma que deixa a Assembleia com o dever cumprido, mesmo reconhecendo o desgaste de sua imagem fruto da PEC criada para beneficiá-lo diretamente. ### ?Ser gestor é como se comparar a uma moeda? Ele agradou a maioria, até porque conseguiu aglutinar ao seu redor um grupo de parlamentares, que se uniram e formaram o ?blocão?, uma espécie de ?muralha? que só vence quem está do lado de quem hoje manda no parlamento alagoano. Mas ao mesmo tempo desagradou uma parcela dos deputados que se sentem excluídos das decisões tomadas na Casa e cobram transparência no Legislativo. No entanto, como o próprio deputado diz, ?ser gestor, em qualquer cargo público, é como se comparar a uma moeda, que tem o verso e o reverso?. A Gazeta quis saber dos colegas de parlamento qual a avaliação que eles fazem do ?chefe? que está em vias de deixar a Assembleia e ocupar uma das cadeiras de conselheiro do Tribunal de Contas. Ouviu integrantes da situação e da oposição e traz nas próximas linhas a opinião de cinco deles sobre a gestão de Fernando Toledo (PSDB). ///