Debandada
Direção do PL ameaça ir à Justiça para punir vereadores ‘infiéis’
Dos vereadores eleitos pelo PL em Maceió, 11 já anunciaram que pretendem seguir o prefeito João Henrique Caldas, que deixou o partido e articula sua pré-candidatura ao governo de Alagoas, possivelmente pelo PSDB. O movimento escancara uma debandada que ameaça esvaziar a legenda na capital.
A reação da cúpula nacional foi imediata. O presidente Valdemar da Costa Neto determinou que os diretórios estadual, comandado por Cabo Bebeto, e municipal, sob liderança de Carol Dias, notificassem os vereadores sobre as medidas jurídicas cabíveis em caso de desfiliação fora da janela partidária, que pode resultar na perda do mandato por ausência de justa causa.
A iniciativa busca conter o êxodo e reafirmar o controle institucional da legenda sobre seus eleitos. “Não será concedida carta de anuência para eventual desfiliação do partido”, diz a notificação encaminhada ontem aos parlamentares. O PL também sustenta que divergências internas não caracterizam justa causa.
No plenário da Câmara, o clima é de tensão. O líder do partido, Leonardo Dias, e o vereador Caio Bebeto iniciaram a entrega das notificações, tratadas como alertas formais para o cumprimento da legislação eleitoral.
Aliados do prefeito, por outro lado, minimizam os riscos jurídicos e defendem a legalidade do movimento. O presidente da Câmara, Chico Filho, já declarou apoio irrestrito ao projeto político de JHC e afirma não temer eventual judicialização. Em tom crítico, acusa a direção nacional do PL de agir de forma arbitrária ao destituir o diretório municipal anteriormente comandado pelo prefeito, classificando a decisão como perseguição política.
A disputa ganha complexidade diante do planejamento eleitoral do grupo. A base aliada de JHC articula candidaturas proporcionais, com nomes para nove vagas de deputado federal e para as 27 de deputado estadual. A migração coletiva para o PSDB é tratada como caminho natural para sustentar a candidatura do prefeito ao governo.
O líder do prefeito na Câmara, Kelmann Vieira (MDB), reafirmou fidelidade a JHC e informou ter comunicado ao senador Renan Calheiros sua intenção de disputar vaga na Câmara dos Deputados pelo grupo do prefeito. Ele defende uma saída consensual.
Segundo Kelmann, há “especulações e polêmicas” em torno da crise. “O prefeito reuniu sua bancada, relatou dificuldades após reunião em Brasília e manifestou o desejo de sair do partido. Os vereadores presentes fecharam questão e disseram que marcham com ele”, afirmou.
O vereador acrescentou que, à época, JHC ainda presidia o diretório municipal e teria autorizado formalmente a desfiliação dos aliados. “Foi tudo legalizado. Dos 13 vereadores, 11 manifestaram a intenção de sair e possuem documentos de liberação”, disse. Apenas Leonardo Dias e Caio Bebeto não teriam aderido.
Os vereadores Jeannyne Beltrão e Siderlane Mendonça evitaram confirmar a desfiliação, mas afirmaram que “estarão com JHC onde ele estiver”.
Ainda não há definição sobre a filiação ao PSDB nem sobre a chapa majoritária. As articulações seguem em curso. O vereador Davi Davino (PP), com nove mandatos, confirmou que seu filho, Davi Davino Filho (Republicanos), deve disputar o Senado e pode integrar o grupo do prefeito.
Já Caio Bebeto reafirma fidelidade ao PL e alinhamento ao grupo do ex-presidente Jair Bolsonaro e do senador Flávio Bolsonaro, indicando que a debandada não é unânime.
O desfecho da crise deve ocorrer na Justiça Eleitoral, com possível judicialização das desfiliações e disputa por mandatos.