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O DILEMA DA REELEIÇÃO

Três sinais do atual momento político brasileiro

Cenário atual está posto e merece atenção dos eleitores e de quem pretende concorrer no pleito que definirá o futuro

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Quero trazer aos amigos leitores algumas considerações sobre o atual momento político brasileiro.

A primeira delas diz respeito ao Partido dos Trabalhadores, que sempre afirma não ter relação com os escândalos divulgados diariamente na imprensa, mas que, ao mesmo tempo, se opõe ou procura obstruir a instalação de Comissões Parlamentares de Inquérito conduzidas pelo Poder Legislativo. Não quer, por exemplo, a CPMI do INSS nem a do Banco Master, seja votando contra, seja criticando.

Ora, se o PT e seus correligionários — deputados, senadores e o próprio governo — não estão envolvidos nos escândalos, não haveria razão para receio diante da instalação de qualquer CPMI.

Um bom governo é aquele que procura identificar irregularidades para corrigi-las. Este é, portanto, o primeiro ponto que destaco: a minha perplexidade diante da postura de negar envolvimento e, simultaneamente, atuar de forma firme para impedir que o Poder Legislativo exerça sua função fiscalizadora, convocando, ouvindo depoimentos e apurando responsabilidades.

A segunda reflexão diz respeito à probabilidade de termos dois candidatos conservadores nas eleições à Presidência da República: Flávio Bolsonaro e Ratinho Jr., este último, ao que tudo indica, com maior viabilidade no momento. Caso se confirmem duas candidaturas, será indispensável o estabelecimento de um pacto de não agressão entre ambos.

Um exemplo a ser considerado é o da eleição no Chile, em que quatro candidatos conservadores disputaram a presidência contra um único nome da esquerda, que acabou indo ao segundo turno. Na ocasião, firmaram um compromisso: aquele que avançasse receberia o apoio imediato dos demais.

No contexto brasileiro, esse pacto de não agressão significaria que, havendo dois candidatos conservadores, ambos teriam um adversário comum: o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Tal estratégia é fundamental para garantir que o candidato que avance ao segundo turno conte não apenas com apoio institucional, mas também com a transferência efetiva do eleitorado do aliado. Ao evitar ataques mútuos, preserva-se a imagem de ambos e impede-se a criação de ressentimentos que poderiam dificultar uma aliança futura.

A terceira e última reflexão refere-se a uma informação que circula no meio jornalístico: a de que ministros do Supremo Tribunal Federal estariam, neste momento, decepcionados com o governo Luiz Inácio Lula da Silva. O movimento, segundo essa leitura, seria de autoproteção, com magistrados buscando se afastar de qualquer responsabilidade direta pelos rumos da gestão federal, preservando a imagem da Corte.

Essa percepção de distanciamento ganha força quando se observa que diversos escândalos estão sob análise do STF, do Congresso Nacional e do ministro André Mendonça. A pressão aumenta com a atuação da CPMI do INSS e as movimentações envolvendo o Banco Master. Não sendo jornalista, a leitura que faço, “nas entrelinhas”, das colunas políticas é a de que o Presidente tenta se desvincular desses episódios para evitar impactos sobre sua candidatura à reeleição.

Há, contudo, uma contradição que merece atenção. Em 2022, muitos analistas sustentaram que o STF e o TSE tiveram papel decisivo no pleito que resultou na eleição de Luiz Inácio Lula da Silva, inclusive com medidas que restringiram a atuação de veículos de comunicação críticos ao então presidente Jair Bolsonaro.

São, portanto, três pontos que merecem reflexão por parte dos protagonistas que moldarão o futuro das instituições e do país. É imperativo compreender a gravidade desse cenário.

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