Sessão especial
ALE: debate destaca papel social dos Correios e preocupação com fechamento de agências
O risco de privatização e os impactos no atendimento em áreas remotas dominaram o debate sobre o futuro dos Correios em sessão especial realizada nessa segunda-feira (13) pela Assembleia Legislativa Estadual. Trabalhadores, dirigentes sindicais e parlamentares apontaram a capilaridade da estatal como fator central para a integração nacional e o acesso a serviços básicos.
A discussão, proposta pelo deputado Ronaldo Medeiros (PT), reuniu representantes da categoria que contestaram a narrativa de déficit e alertaram para possíveis perdas sociais caso a empresa seja transferida à iniciativa privada.
Medeiros defendeu a presença da estatal em todo o território. Segundo ele, “uma cidade sem agência sofre”, especialmente as mais pobres. O parlamentar também criticou o que considera um processo de enfraquecimento deliberado. “Quando querem privatizar, deixam o serviço piorar”, afirmou.
A abrangência da rede foi apontada como diferencial. Para o deputado, empresas privadas tenderiam a atuar apenas onde há lucro. “O setor privado não vai para onde não dá retorno”, disse, ao citar a distribuição de vacinas, livros didáticos e provas do Enem em localidades distantes.
Representando os trabalhadores em Alagoas, Altames Holanda destacou a importância da empresa nos pequenos municípios. “Eu sei o valor de uma agência no interior”, afirmou. Ele também relatou um ambiente de insegurança entre os funcionários, com “pressão” e “medo de privatização”.
No plano nacional, o dirigente da federação da categoria, Emerson Marinho, defendeu que o papel da empresa vai além do resultado financeiro. Ele citou a atuação em desastres recentes como evidência da presença estatal onde o privado não chega.