Política
Retorno de deputados acirra disputa
No dia 13 de julho, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou o retorno à Assembleia Legislativa dos deputados afastados acusados de envolvimento no desvio de R$ 300 milhões dos cofres públicos estaduais, o que até então ainda girava no campo da especulação, virou certeza para a maioria. Antônio Albuquerque (sem partido), o ex-presidente do Legislativo, que nunca teria deixado de mandar no parlamento, voltaria a dar as cartas. Dessa vez, não mais a distância. Com a provável saída de Fernando Toledo (PSDB) para assumir a vaga de conselheiro do Tribunal de Contas, o caminho ficaria livre para Albuquerque retomar a presidência da Casa e impor suas ?regras?. Não será assim! É o que garante quem hoje tomou as rédeas do jogo e está no comando do poder. De cara, o grupo não abre mão do nome do vice-presidente e líder do governo na ALE, deputado Alberto Sextafeira (PSB), caso a ida de Toledo para o TC ocorra de fato. Será ele, afirmam integrantes do grupo que durante um ano e quatro meses vem ?mandando no parlamento?, o presidente da Assembleia. ### Espaço em Mesa Diretora é descartado O entendimento de quem hoje comanda a Assembleia de Alagoas é que os deputados acusados de envolvimento na Operação Taturana ? responsável pela descoberta de um desvio de R$ 300 milhões nos cofres públicos ? estão numa situação que não permite a eles fazer qualquer tipo de cobrança; de imposição ao atual grupo que domina o parlamento. ?O discurso do Nelito [Manoel Gomes de Barros-PMN] expressou o sentimento de todos eles. Estão aliviados com o retorno, mas sabem que perderam espaço?, diz uma fonte à Gazeta, ao se referir às palavras do deputado na sessão de quarta-feira, 15, convocada às pressas com a intenção pura e simplesmente de marcar o retorno dos parlamentares, garantir a chamada e inclusão do nomes deles na ata da Casa, dificultando possíveis ações para um novo afastamento. ### Para oposição, regras são as mesmas A oposição não participou da sessão extraordinária que marcou o retorno dos deputados à Assembleia. Não quis compactuar do que considera ?forjar uma situação? para levar o quanto antes os parlamentares à Casa legislativa. Tanto é que num dia o presidente da ALE, Fernando Toledo (PSDB), disse que a sessão em pleno recesso era necessária para votar projeto ?de interesse do Executivo?. No outro dia, foi o próprio governador quem falou. Disse que não tinha matéria que merecesse urgência para ser apreciada. Fernando Toledo não deu as caras na sessão. Deixou em seu lugar o vice-presidente e líder do governo na Assembleia, deputado Alberto Sextafeira (PSB). ### ?Grupo dos 10? volta dividido ao poder Quanto a Antônio Albuquerque (sem partido), o homem que já foi considerado o todo poderoso da Assembleia Legislativa e da política alagoana, o parlamentar a quem até instituições sindicais se renderam em busca de apoio para que agisse como interlocutor junto ao governo nas negociações salariais, qual o destino que o aguarda? ?Existe um mito de que com a volta dos que estavam afastados ele continuará mandando. Não vai. É só mito?, diz um dos parlamentares ouvidos pela Gazeta. ?Ele só quer tratar da reeleição. Não quer mais desgaste?, diz outro deputado. ///