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Afinal, com quem est� a verdade?

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Moisés Santos bebia com amigos num bar, no Bom Parto. No Farol, o delegado Eulálio Rodrigues e o escrivão Carlos Minin cumpriam suas escalas de plantão. Três meses em Maceió, Wendel Guarnieri, do Maranhão, tinha acabado de perder a proteção como testemunha. O advogado Saulo Oliveira e a sua esposa, a promotora de Justiça Marluce Falcão, descansavam, depois de um dia de trabalho. Especialista em soldas, o mineiro Nudson Freitas trabalhava em Maceió havia cerca de uma semana. E o juiz Marcelo Tadeu nem imaginava o medo que ia sentir. Era noite do dia 18 de junho deste ano e uma curiosa sequência de crimes e acusações estava prestes a interligar todos estes personagens numa cadeia de suspeitas e intrigas, colocando em ?xeque? a credibilidade, não só de membros da Polícia Civil, mas também do Ministério Público Estadual e do Tribunal de Justiça. Uma suposta propina de R$ 15 mil e algumas gravações telefônicas divulgadas na internet, além de uma cela aparelhada com microfones para escutas ambiente, são elementos desta mesma história, que, num emaranhado de fatos, ainda não revelou: com quem está a verdade? ### LIGAÇÕES PERIGOSAS Entenda como os personagens desta história estão interligados ? Marcílio Barenco é o delegado-geral da Polícia Civil. Ao lado do delegado adjunto, José Edson Freitas, investigou a denúncia do pagamento da propina. ? Hamilton Carneiro é membro do Grupo Especial de Combate às Organizações Criminosas, o Gecoc, que atuou em parceria com a Polícia Civil nas investigações. ? Maurício Brêda é um dos juízes da 17ª Vara Criminal, que decretou a prisão dos quatro acusados de tráfico de drogas. ? Saulo Oliveira é advogado há 20 anos e pastor evangélico há 30. Ele defendeu o traficante Gil Bolinha, que foi solto sob suspeita de pagar propina ao delegado e ao escrivão por seu intermédio. ### TRECHOS DA CONVERSA ENTRE MARLUCE FALCÃO E WENDEL GUARNIERI A PROMOTORA QUER SABER DO DEPOIMENTO APÓS ESCUTA NA CELA: ? O que você falou lá para os juízes é verdade? ? Olhe, não foi da minha boca. Foi escuta que teve, entendeu? A própria pessoa X [Gil Bolinha] que falou. Eu não falei nada, nada, absolutamente nada. ? Mas você foi orientado a falar com esta pessoa? ? Olhe, a senhora sabe que eu sou desenrolado. Qualquer lugar eu entro e saio. ? Eu sei disso. ? Aí no primeiro dia que eu cheguei lá, uma pessoa X disse: esse moleque aqui é o cara. Esse aqui é assaltante de banco, esse moleque aqui é forte. Aí ele pensou que estava assim, acho que com o rei do crime, né? WENDEL RECLAMA DO ABANDONO DAS AUTORIDADES: ? Aí prometeram de novo o negócio do programa e hoje estou aí, jogado de novo. ? Mas tu sabia que esta promessa era complicada, não é? Porque você já tinha sido excluído do programa... ? Isso era em outro já. ? Não existe outro, menino... eles te deram... deixa para lá. ? Para a senhora ver como são as coisas. A Justiça é a primeira a falhar, né? Aí querem que os de lá debaixo se consertem. ### Promotora e advogado culpam delegado Marido e mulher, a promotora de Justiça Marluce Falcão e o advogado Saulo Oliveira não têm dúvida: estão sendo alvos de uma armação da Polícia Civil. Eles alegam que a Delegacia Geral ?fabricou uma testemunha? ao colocar numa cela equipada com microfones o assaltante Wendel Guarnieri para conversar com Gil Bolinha. ?Foi a maldade?, afirmou o advogado Saulo sobre o método usado. ?O delegado [Edson Freitas] queria atingir o colega [Eulálio Rodrigues] por uma desavença que eles tiveram na Barra de São Miguel. O meu azar foi que eu apareci no meio?, disse. A promotora Marluce Falcão questiona por que a Polícia Civil foi escolher Wendel para colocar na cela com Gil Bolinha. ?Por que foram escolher logo aquele preso que eu encaminhei para o sistema? Depois que ele se tornou testemunha, foi ouvido pela 17ª Vara para antecipação de provas?, reclamou, na entrevista coletiva que concedeu para se defender. ### CONFIRA A SEQUÊNCIA DOS FATOS Há mais de um mês, o ?caso Gil Bolinha? revela um emaranhado de acusações e suspeitas envolvendo autoridades da Justiça, criminosos e membros da Polícia Civil. A promotora Marluce Falcão desliga Wendel Guarnieri do Provita e o encaminha para o Gecoc. O promotor Hamilton Carneiro, do Gecoc, decreta a prisão de Wendel por denúncia de assaltos. A PM prende Gil Bolinha e mais três por tráfico de drogas, num bar, no Bom Parto. Gil Bolinha e mais dois são soltos por falta de provas. Só o dono do bar é indiciado. A Polícia Civil recebe denúncia do pagamento de propina para soltar os três acusados de tráfico. Gil Bolinha é preso de novo, a caminho do escritório do advogado, no Shopping Miramar. ///

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