Projeto político
Secretariado de Rodrigo Cunha mantém base do ex-prefeito e amplia alianças no interior
A menos de seis meses das eleições estaduais, a dança das cadeiras no primeiro escalão da Prefeitura de Maceió oferece um retrato de como a gestão municipal se entrelaça com a estratégia de JHC para concorrer ao governo. O prefeito Rodrigo Cunha (Podemos) executou uma reforma administrativa que equilibra a continuidade técnica com a abertura de espaço para novos aliados políticos.
O gabinete conta com dois perfis distintos: de um lado, a manutenção de 24 dos 35 nomes do alto escalão que já atuavam com JHC; de outro, a nomeação de indicados de lideranças regionais que ampliam a capilaridade do grupo político no interior do Estado.
A primeira portaria assinada por Rodrigo Cunha mostrou a prioridade em garantir que a máquina pública não sofresse abalos durante a transição. Pastas consideradas o “núcleo duro” da administração, como Fazenda, Educação, Governo, Comunicação e Procuradoria-Geral, permaneceram sob o comando dos mesmos técnicos e gestores de confiança da gestão anterior.
A indicação de Maurício Caldas da Silva Filho, primo de JHC, para a Secretaria de Infraestrutura (antes acumulada pelo próprio Rodrigo Cunha) reforça a impressão de que a espinha dorsal do governo permanece alinhada ao projeto político do ex-prefeito.
A novidade, no entanto, fica por conta das pastas que estavam sem titular definido e que se transformaram em peças-chave para a montagem do tabuleiro eleitoral. A nomeação de Lara Malta Brandão para a Secretaria Municipal de Saúde é o movimento mais simbólico dessa etapa. Lara é cunhada do ex-deputado estadual Celso Luiz e esposa do ex-prefeito de Inhapi Tenorinho Malta.
A articulação envolve diretamente o próprio Tenorinho, que recentemente se filiou ao PSDB, partido de JHC, e reforça a construção de palanques no interior, fator considerado decisivo em disputas estaduais. Nesse contexto, a Secretaria de Saúde deixa de ser apenas uma área técnica e passa a desempenhar papel estratégico na consolidação de alianças regionais.
A entrada desse grupo no secretariado é interpretada nos bastidores como um movimento pragmático para pavimentar a presença de JHC no Sertão alagoano, região onde a construção de palanques é crucial para equilibrar a disputa contra adversários com bases consolidadas no interior.
AGRESTE
De forma semelhante, a influência do prefeito de Arapiraca, Luciano Barbosa, e do ex-deputado Gilvan Barros demonstra uma engenharia política que busca costurar apoios no Agreste e em outras regiões estratégicas do Estado. A Assistência Social deve ir parar na cota de indicações de Luciano Barbosa.
A articulação também envolve o vereador Chico Filho (PSDB), que deverá indicar o diretor do Instituto de Pesquisa, Planejamento e Licenciamento Urbano e Ambiental de Maceió (Iplam), órgão responsável pelas grandes obras implementadas na capital. Já Kelmann Vieira (PSDB) deve controlar a Autarquia de Limpeza Urbana (Alurb). Kelmann também emplacou Otávio Henrique Palmeira Rêgo na Secretaria Municipal de Abastecimento, Agricultura, Pesca e Aquicultura (Semapa).
A composição partidária do secretariado – que reúne nomes ligados a PL, Podemos, PSDB e MDB – evidencia a formação de uma frente política heterogênea, orientada por pragmatismo eleitoral. O objetivo é ampliar capilaridade, ocupar espaços regionais e estruturar uma base competitiva para a disputa pelo governo.
O que se desenha em Maceió é uma gestão de transição que, ao mesmo tempo que busca não interromper o que está em andamento, funciona como um grande laboratório para o projeto de poder do grupo liderado por JHC.