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Funcionalismo

Negociações salariais entram em semana decisiva na prefeitura e Câmara

Servidores do Executivo reivindicam 10% de reajuste, enquanto trabalhadores do Legislativo querem 15%

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Contraproposta do presidente da Câmara, Chico Filho, prevê reposição da inflação mais 1% de ganho real, totalizando 6%
Contraproposta do presidente da Câmara, Chico Filho, prevê reposição da inflação mais 1% de ganho real, totalizando 6% | Foto: Dicom CMM

As negociações sobre o reajuste salarial dos servidores públicos efetivos da Prefeitura e da Câmara Municipal de Maceió entram, a partir desta semana, em um momento decisivo, marcado por expectativas elevadas e clima de crescente tensão entre as categorias. Representantes sindicais do Executivo municipal pleiteiam um reajuste de 10% e aguardam uma sinalização do novo prefeito, Rodrigo Cunha (PSD), para retomar as tratativas iniciadas ainda na gestão anterior.

O movimento conta com o apoio de vereadores ligados às comissões de servidores públicos e de orçamento, que atuam como intermediadores no diálogo institucional, conforme destaca o vereador Allan Pierre (MDB).

No âmbito do Legislativo, entretanto, o cenário é de maior desgaste. As negociações não avançaram nas últimas semanas, intensificando a insatisfação dos servidores, que reivindicam um reajuste de 15%. A contraproposta apresentada pelo presidente da Casa, vereador Chico Filho (PSDB), prevê reposição inflacionária acrescida de 1%, totalizando cerca de 6% – índice inferior ao reajuste de 8% concedido no ano passado. A diferença tem sido o principal ponto de atrito nas discussões.

As tratativas tiveram início em janeiro, com a intermediação da vice-presidente da Mesa Diretora, Silvânia Barbosa (Solidariedade). Segundo o presidente do Sindicato dos Servidores da Câmara, Antônio Pessoa Ferreira Neto, o clima entre os trabalhadores é de insatisfação, embora não haja indicativos de radicalização.

Em assembleia conjunta com servidores ativos e inativos, a categoria rejeitou, por unanimidade, a proposta apresentada pela Mesa Diretora, reforçando a disposição de manter a mobilização.

De acordo com o líder sindical, a contraproposta não apenas fica abaixo das expectativas, como também representa um recuo em relação ao ganho real obtido no ano anterior. Ele destaca que o reajuste de 2025 superou, inclusive, o índice aplicado ao funcionalismo do Executivo, ampliando a sensação de perda entre os servidores do Legislativo.

Uma nova rodada de negociação está prevista para quarta-feira (22), enquanto a categoria permanece em assembleia permanente, aberta ao diálogo, e cobra uma revisão dos percentuais.

No Executivo municipal, os sindicatos buscam reabrir o canal de negociação com a nova gestão. Em março, representantes de seis entidades protocolaram, na Secretaria Municipal de Gestão de Pessoas e Patrimônio, a pauta aprovada em assembleia, que inclui o reajuste de 10% e demandas relacionadas à valorização profissional.

Os dirigentes sindicais defendem que há margem fiscal para atender às reivindicações, apontando que os gastos com pessoal estão em torno de 40% da receita, abaixo do limite de 54% estabelecido pela Lei de Responsabilidade Fiscal.

O contexto orçamentário reforça o debate. Em janeiro, a Câmara aprovou o orçamento municipal de R$ 5,6 bilhões para 2026, além de uma emenda que elevou o duodécimo do Legislativo para R$ 140 milhões, o que significa um acréscimo de R$ 15 milhões em relação ao ano anterior. Para os sindicatos, os números indicam viabilidade financeira tanto na Prefeitura quanto na Câmara.

Ainda assim, a falta de consenso mantém o impasse, enquanto as partes sinalizam disposição para continuar negociando, em busca de um equilíbrio entre as demandas dos servidores e os limites fiscais das instituições.

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