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Eleições 2026

De olho em JHC, Renan Filho aposta na comparação entre gestões

Ex-governador exalta legado administrativo do seu governo e alinhamento com o Presidente Lula

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Pré-campanha ao governo do Estado vem sendo marcada por críticas indiretas de Renan Filho ao ex-prefeito de Maceió
Pré-campanha ao governo do Estado vem sendo marcada por críticas indiretas de Renan Filho ao ex-prefeito de Maceió | Foto: Assessoria

O senador Renan Filho (MDB) tem adotado postura cada vez mais incisiva neste início de pré-campanha ao governo de Alagoas. Em agendas públicas recentes, ele passou a intensificar críticas indiretas ao ex-prefeito de Maceió, JHC (PSDB), utilizando comparações de gestão e declarações em tom provocativo para marcar posição no cenário político.

A mudança de postura ficou evidente durante participação em evento da Universidade Estadual de Alagoas (Uneal), em Arapiraca. Na ocasião, Renan Filho abordou temas sensíveis da administração da capital, como a falta de vagas em creches, além de questionar decisões envolvendo recursos públicos. Entre os pontos levantados, chamou atenção a menção ao investimento de cerca de R$ 100 milhões do fundo previdenciário do município em instituição ligada ao banco Master — operação que, segundo críticas recorrentes, envolve riscos quanto à recuperação dos valores.

Sem citar diretamente o nome de JHC, o ex-governador fez críticas que, na avaliação de analistas políticos, têm endereço claro. Segundo eles, quando Renan Filho aborda esses temas, atinge diretamente o ex-prefeito, ainda que sem mencioná-lo. Trata-se de uma estratégia clássica de confronto indireto, que marca o início efetivo de uma disputa.

Outro episódio que repercutiu foi a crítica à postura de neutralidade adotada por JHC na eleição presidencial. Em tom irônico, Renan Filho comparou a posição ao “xampu de bebê”, sugerindo ausência de posicionamento político firme. Em contraponto, fez questão de reafirmar alinhamento com o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), destacando que tem lado definido no cenário nacional.

Nos bastidores, a avaliação é de que o ex-governador já entrou em ritmo de campanha e busca se diferenciar ao assumir protagonismo no debate público. A estratégia passa por antecipar o embate direto com aquele que desponta como principal adversário na disputa estadual.

O movimento também reflete uma mudança no clima político entre os grupos. Episódios recentes mostram que a relação, antes marcada por gestos de aproximação, esfriou. Durante agenda com Lula em Maceió, por exemplo, houve elogios públicos à gestão de JHC, inclusive por parte do senador Renan Calheiros. Na época, a leitura era de tentativa de construção de ponte política — cenário que não se concretizou.

Agora, o contexto é outro. Com JHC ampliando agendas no interior do estado e buscando consolidar sua base além da capital, aliados de Renan Filho enxergam a necessidade de enfrentamento mais direto. A interiorização da pré-campanha do ex-prefeito é vista como passo estratégico para torná-lo competitivo em todo o estado, já que sua força política está concentrada em Maceió.

Apesar das críticas, JHC tem adotado postura pública mais cautelosa. Evita responder diretamente às declarações de Renan Filho, mas utiliza as redes sociais como instrumento de reação indireta. Conteúdos publicados por sua equipe resgatam falas antigas de adversários, incluindo elogios feitos à sua gestão, em uma tentativa de evidenciar contradições no discurso atual.

Para analistas políticos, o cenário desenhado aponta para uma eleição altamente competitiva e, possivelmente, polarizada. A tendência é de que a disputa ganhe ainda mais intensidade com a oficialização das candidaturas nas convenções partidárias.

Além disso, a possível entrada de uma terceira via, com articulações envolvendo partidos como o Partido Liberal (PL), pode embaralhar o cenário e aumentar as chances de um segundo turno. Ainda assim, a leitura predominante é de que Renan Filho e JHC largam como protagonistas na corrida pelo Palácio República dos Palmares.

A avaliação dos analistas é de que, se na pré-campanha já há esse nível de enfrentamento, a tendência é de uma eleição dura, com discursos mais agressivos e comparações sobre gestão. Nesse cenário, ninguém quer abrir mão do comando político do estado, o que deve acirrar ainda mais o debate.

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