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Eleições 2026

Disputa eleitoral começa com foco na juventude, redes e IA

Partidos e pré-candidatos apostam em jovens, redes sociais e inteligência artificial para garantir votos nas eleições

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Jovens compõem um contingente expressivo de eleitores em AL
Jovens compõem um contingente expressivo de eleitores em AL | Foto: Marcelo Casal Jr. / Agência Brasil

O perfil do eleitorado de Alagoas, com base nos dados consolidados de 2024 da Justiça Eleitoral, revela um cenário com potencial de influenciar diretamente as estratégias políticas para as eleições de 2026: a juventude aparece como um dos segmentos mais promissores e, ao mesmo tempo, mais desafiadores para partidos e pré-candidatos.

Embora ainda não represente o maior bloco eleitoral, esse segmento constitui um campo estratégico em aberto. Diferentemente das faixas etárias mais velhas, que apresentam maior regularidade e previsibilidade, os jovens formam um eleitorado mais volátil, sensível à comunicação e às tendências digitais.

Nesse contexto, a disputa de 2026 tende a não se limitar às ruas ou aos palanques tradicionais, mas a se concentrar, de forma cada vez mais intensa, nas telas dos celulares.

Com o cadastramento eleitoral deste ano já concluído e ainda em fase de organização pela Justiça Eleitoral, os números mais recentes deverão servir de base para análises mais precisas.

Até lá, os dados de 2024 seguem como principal parâmetro para compreender os caminhos da disputa. E eles mostram que, embora o maior volume de eleitores esteja concentrado entre 25 e 44 anos – faixa tradicionalmente decisiva nas urnas –, o grupo de 16 a 24 anos reúne um contingente expressivo e com potencial de crescimento político, especialmente diante das mudanças no comportamento eleitoral e no consumo de informação.

Esse potencial, no entanto, convive com um sinal de alerta. A baixa taxa de biometria entre os mais jovens expõe uma fragilidade relevante. Enquanto eleitores acima dos 25 anos apresentam índices superiores a 97% de cadastramento biométrico, faixas como 18 e 19 anos registram percentuais significativamente menores, chegando a pouco mais de 40% em alguns recortes. O dado sugere não apenas uma fragilidade cadastral, mas também um possível distanciamento institucional desse público.

SEGMENTAÇÃO

É justamente nesse ambiente que pré-candidatos em Alagoas começam a ajustar o tom das campanhas, mesmo antes do início oficial do período eleitoral. A aposta tem migrado de forma cada vez mais clara para a comunicação digital segmentada, com foco na linguagem da juventude.

Entre as estratégias observadas estão a produção de conteúdos curtos e verticalizados para redes sociais; o uso de estética e linguagem inspiradas em plataformas como TikTok e Instagram; a incorporação de recursos de inteligência artificial na criação de conteúdo; e tentativas de aproximação com pautas identitárias e culturais do público jovem.

Essa movimentação já aparece de forma visível nos perfis de redes sociais de pré-candidatos em Alagoas. Nomes cotados tanto para disputas majoritárias quanto proporcionais têm recorrido com frequência a ferramentas de inteligência artificial como parte da estratégia para capturar a atenção desse segmento. A mudança sinaliza um deslocamento no eixo tradicional das campanhas, que passam a disputar atenção em ambientes digitais altamente competitivos, onde o engajamento pode se tornar determinante.

O avanço dessas estratégias, no entanto, também amplia preocupações institucionais. Ao tomar posse recentemente na presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o ministro Kassio Nunes Marques destacou que o uso inadequado da inteligência artificial será um dos principais desafios do pleito. Segundo ele, o ambiente eleitoral contemporâneo está profundamente atravessado por algoritmos e plataformas digitais, o que exige vigilância redobrada.

“Vivemos em uma era em que as campanhas eleitorais não chegam às urnas sem atravessar algoritmos”, afirmou o ministro, ao ressaltar que o mau uso dessas tecnologias pode representar riscos ao processo democrático.

Em 2026, a Justiça Eleitoral aprovou normas que estabelecem limites para o uso de IA nas campanhas, numa tentativa de equilibrar inovação e integridade do processo eleitoral.

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