Política
Assistencialismo vive seu auge durante a campanha eleitoral
FÁTIMA VASCONCELLOS É durante a fase da campanha eleitoral que a cultura do assistencialismo vive seu auge, apesar de ser crime o candidato ?comprar? o voto. ?A compra do voto é crime passível de reclusão por quatro anos?, lembra o juiz eleitoral Alberto Jorge Correia. Indiferente à legislação, candidatos dão aos supostos eleitores boa parte do que eles pedem como condição para votar. Paralelo a essa prática viciosa, alguns segmentos da sociedade, como a OAB e a própria igreja católica estão engajados numa campanha pelo voto consciente. ?Parece bem hipócrita falar em voto consciente onde falta tudo. O mais simples parece que é vender o voto por um prato de comida. A satisfação de uma necessidade imediata, próxima do visível, em lugar de uma possibilidade remota, distante, invisível. Contudo, vale a pena sim insistir na conscientização. O voto é um dos poucos instrumentos legais de que dispomos para tentar abrir algumas clareiras na imensa floresta que obscurece a visão, que nos impede de caminhar em direção do que queremos atingir. Além disso, as pessoas devem de algum modo salvaguardar sua dignidade?, observa Leda Almeida, professora da Universidade Federal de Alagoas. Aceitável Segundo ela, o assistencialismo, fora de campanhas eleitorais, é aceitável em um País onde as mudanças estruturais demoram a acontecer. No entanto, para captar votos é lamentável, sobretudo porque representa um retardo no processo de conscientização da população mais carente. ?Infelizmente, estamos vivendo em um tempo de muito individualismo, onde as pessoas pensam, na hora de votar, unicamente em seus interesses pessoais, particulares?. O sociólogo Sávio de Almeida acrescenta que a organização da sociedade civil é essencial para mudar essa cultura. Ele enfatiza que muitos candidatos conhecem bem as engrenagens que levam ao voto, especialmente em áreas onde o contato face a face seja mais fácil de se realizar. ?Quanto mais se tenha a possibilidade de nominar o eleitor, quanto mais se tem a política assistencial montada. Existem mudanças no comportamento eleitoral brasileiro, mas especialmente aquele que se realiza no ambiente marcado pelo poder local (nas suas características antigas) é de senso tradicional. Apesar de tudo, acredito que se possa mudar?, afirma.