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AL aposta em usinas para vencer mis�ria

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Alagoas entrou na briga disposta a fazer tudo para ganhar. Desde que o governo federal anunciou a construção de duas usinas nucleares no Nordeste, no ano passado, o Estado se articula politicamente para sediar o projeto. Com investimento na ordem de R$ 14 bilhões e a promessa de gerar 10 mil empregos diretos, só no período da construção, a Eletronuclear, uma empresa vinculada a Eletrobrás, já fez estudos na região e, dos nove Estados nordestinos, apenas quatro seguem na disputa: Bahia, Sergipe, Pernambuco e Alagoas. Para deixar ainda mais explícito o interesse, o governador Teotonio Vilela Filho (PSDB), na última terça-feira, viajou com uma comitiva de 16 pessoas para Angra dos Reis, interior do Rio de Janeiro, onde funcionam as duas usinas nucleares do Brasil e onde a terceira está em construção. ### Governo promete abrir debate Como estratégia, o governador Teotonio Vilela Filho prometeu abrir o debate. Para sensibilizar os técnicos e o presidente da Eletronuclear, Othon Luiz Pinheiro, ele se comprometeu em realizar, no próximo mês de outubro, em Maceió, um workshop para discutir com os políticos e a sociedade civil as vantagens e as desvantagens que duas usinas nucleares vão representar para Alagoas. Na pauta, uma questão é certa: os riscos que o ?lixo atômico? pode causar à população e ao meio ambiente. Nas duas usinas de Angra dos Reis, o rejeito radioativo é estocado em tonéis, guardados em um depósito blindado. Para se decompor e deixar de ser um risco para a saúde dos seres vivos, esse tipo de material precisa de milhares de anos. ### ?A opinião pública é muito importante? Professor do Instituto de Física da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) desde setembro de 1983, Jenner Bastos atendeu ao pedido da Gazeta e falou sobre os riscos das usinas nucleares para os seres humanos. ?A possibilidade de vazamento de material radioativo constitui um seriíssimo problema de saúde pública pelas doenças que podem causar em populações que vivem ao redor das usinas. São doenças gravíssimas como o câncer. Além disso, há a contaminação dos alimentos, da água, do solo e do ar. Há exemplos de acidentes emblemáticos como em Three Mile Island nos Estados Unidos da América em 1979 e em Chernobyl em 1986, na antiga União Soviética. Pode-se dizer que hoje em dia as tecnologias de segurança são bem melhores que em décadas passadas, o que é um dado importante, mas por melhores que sejam tais tecnologias, há riscos que não dependem propriamente delas por melhores que sejam. A questão do lixo atômico é uma delas?. ///

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