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Eleições 2026

Renan Filho e JHC antecipam disputa e ampliam embate na corrida ao governo

Pré-candidatos travam batalha de narrativas sobre gestão, desenvolvimento e responsabilidade administrativa

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Renan Filho defende legado e continuidade administrativa
Renan Filho defende legado e continuidade administrativa | Foto: Foto: Assessoria
JHC tem apontado problemas em vários setores do Estado, atribuindo-os aos governos de Renan Filho e Paulo Dantas
JHC tem apontado problemas em vários setores do Estado, atribuindo-os aos governos de Renan Filho e Paulo Dantas | Foto: Reprodução

Embora a campanha eleitoral ainda não tenha começado oficialmente, os dois principais protagonistas da disputa, JHC (PSDB) e Renan Filho (MDB), intensificaram agendas públicas, ampliaram a presença nas redes sociais e passaram a trocar críticas com frequência crescente. O movimento evidencia não apenas a antecipação do confronto eleitoral, mas também estratégias distintas de comunicação e de aproximação com o eleitorado.

O embate tem se estruturado em torno de dois eixos principais: de um lado, o discurso da mudança, encampado por JHC; de outro, a defesa de legado e continuidade, conduzida por Renan Filho. No meio desse confronto, um elemento ganhou protagonismo inesperado: o caso do Banco Master, que passou a funcionar como símbolo político na disputa.

A crise envolvendo a aplicação de recursos do fundo previdenciário de Maceió no Banco Master tornou-se a principal arma do grupo liderado pelo senador Renan Calheiros (MDB), pré-candidato ao Senado. Nas redes sociais e declarações públicas, o parlamentar tem explorado o tema de forma recorrente, tentando associar a gestão ligada a JHC a riscos financeiros envolvendo servidores públicos.

A estratégia é clara: transformar um episódio técnico em narrativa política de impacto popular, sobretudo ao envolver aposentadorias e salários — temas sensíveis para o eleitorado. O movimento também ajuda a deslocar o debate para o campo da responsabilidade fiscal e da segurança institucional.

O contra-ataque, no entanto, veio em igual intensidade. A senadora Dra. Eudócia Caldas (PSDB), mãe de JHC, assumiu protagonismo na defesa do grupo e passou a rebater diretamente Renan Calheiros no plenário do Senado.

Em sua ofensiva, ela amplia o escopo do confronto ao tentar vincular o adversário a outras controvérsias nacionais, incluindo supostas irregularidades no INSS, relações com o sistema financeiro e menções a instituições como o BMG. A parlamentar também defende a abertura de uma CPI, elevando o tom político e nacionalizando o debate.

Esse embate familiar e institucional revela uma característica central da disputa em Alagoas: a forte personalização e a presença direta de lideranças tradicionais no confronto, transformando a eleição em uma batalha de grupos políticos consolidados.

Enquanto isso, JHC aposta em uma estratégia de comunicação fortemente baseada na proximidade com o eleitor. Em vídeos publicados nas redes sociais, ele explora situações concretas enfrentadas pela população, sobretudo no interior do estado.

Um exemplo recente é o registro de uma estrada em condições precárias em Anadia, onde o discurso é conduzido a partir da indignação popular, com relatos de dificuldade de acesso e sofrimento cotidiano.

A narrativa construída por JHC busca reforçar a ideia de abandono e associar esses problemas a um ciclo político que, segundo ele, precisa ser interrompido. Em outro momento, ao abordar a segurança pública, o pré-candidato adota um tom ainda mais direto, acusando o atual grupo no poder de omissão e afirmando que Alagoas enfrenta altos índices de violência, mesmo após anos de gestão contínua.

REAÇÃO

A resposta governista não demorou. O atual governador Paulo Dantas rebateu publicamente, destacando a redução significativa da criminalidade nos últimos anos e resgatando dados históricos para confrontar o discurso do adversário.

Ao lembrar o período em que o PSDB esteve no poder, ele tenta inverter a narrativa, atribuindo ao campo político de JHC um passado marcado por altos índices de violência.

Renan Filho, por sua vez, tem adotado uma linha que mistura defesa de resultados concretos com ataques mais estruturais ao adversário. Em suas falas, ele destaca avanços socioeconômicos de Alagoas nos últimos anos, como crescimento do IDH, expansão do turismo e desenvolvimento regional, especialmente no interior do Estado.

Ao mesmo tempo, incorpora o caso do Banco Master ao seu discurso de campanha como proposta. Ao afirmar que, se eleito, não permitirá que bancos envolvidos em investigações ou sob suspeita administrem recursos de servidores, ele tenta transformar o episódio em compromisso político, reforçando a imagem de proteção ao funcionalismo público.

COMPOSIÇÃO POLÍTICA

Outro ponto recorrente em sua retórica é a crítica à composição política do grupo adversário. Renan Filho questiona a consistência das alianças em torno de JHC, classificando-as como um “ajuntamento” sem projeto definido. A estratégia busca fragilizar a credibilidade do adversário antes mesmo da formalização das candidaturas.

Além disso, o pré-candidato do MDB reforça seu alinhamento com o governo federal, destacando os investimentos da União para o desenvolvimento regional. Ao citar sua experiência governando sob gestões federais adversas, ele constrói uma narrativa de competência e resiliência, ao mesmo tempo em que valoriza o atual momento de maior integração política com Brasília.

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