Verbas
AL entra na disputa do Fundo Eleitoral com peso reduzido no Congresso
Partidos no estado devem receber fatias menores de acordo com os critérios dos diretórios nacionais
A divisão dos R$ 4,9 bilhões do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) para as eleições de 2026, divulgada pela Justiça Eleitoral, evidencia um cenário de disputa desigual entre os estados e coloca Alagoas em posição de dependência das decisões internas dos partidos.
Pelos critérios legais, o montante é distribuído nacionalmente entre as siglas com base no desempenho eleitoral e no tamanho das bancadas no Congresso. As maiores legendas concentram a maior fatia: o PL deve receber cerca de R$ 881 milhões, seguido pelo PT, com aproximadamente R$ 615 milhões, e pelo União Brasil, com cerca de R$ 526 milhões. Juntas, essas três siglas ficam com cerca de 40% de todo o fundo.
O total disponibilizado pela União chega a R$ 4,9 bilhões, que são repassados exclusivamente aos partidos políticos, e não diretamente aos estados.
Nesse contexto, Alagoas tende a ter menor protagonismo na divisão dos recursos. O Estado possui uma das menores bancadas do País, com apenas nove deputados federais e os três senadores, o que impacta diretamente o volume de recursos que chegam às direções partidárias com atuação local.
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Como a legislação privilegia partidos com maior representação no Congresso, estados com bancadas mais robustas acabam, indiretamente, concentrando mais recursos. Diferentemente do que pode parecer, não existe uma divisão oficial do fundo por estado. Após receberem suas cotas, os partidos definem internamente quanto será destinado a cada unidade da federação.
A regra dá ampla autonomia às direções nacionais, que levam em conta fatores como viabilidade eleitoral, alianças e força dos candidatos. É nesse ponto que Alagoas entra na disputa política por espaço dentro das próprias legendas.
No cenário estadual, a corrida pelo governo já apresenta nomes de diferentes partidos, como o ex-prefeito de Maceió JHC (PSDB), o senador Renan Filho (MDB), a jornalista Lenilda Luna (UP) e o jornalista Cícero Fernandes (Democrata).
Para o Senado, o quadro também reúne nomes de peso, como Arthur Lira (PP), Alfredo Gaspar (PL), Renan Calheiros (MDB) e Davi Davino Filho (Republicanos), ampliando a pressão sobre as siglas por recursos para campanhas majoritárias.
Com múltiplas candidaturas competitivas, a tendência é de intensificação das negociações internas nos partidos para garantir fatias maiores do fundo.
Segundo especialistas em direito eleitoral, o fator decisivo será a estratégia das siglas. “Cada partido, dentro da sua autonomia, é que define quanto será repassado para cada estado”, explica o advogado eleitoral Marcelo Brabo.
Na prática, isso significa que o acesso de Alagoas ao Fundo Eleitoral dependerá menos de critérios fixos e mais da capacidade de articulação política de seus candidatos e lideranças junto às direções nacionais.