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EMBATE

Renan e Eudócia Caldas discutem no Senado sobre Banco Master e investimentos do Iprev

Parlamentares divergiram sobre a aplicação de recursos dos aposentados e a necessidade de uma CPI para investigar o caso

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Discussão entre Renan e Eudócia ocorreu em sessão com a presença do presidente do BRB, Nelson Souza
Discussão entre Renan e Eudócia ocorreu em sessão com a presença do presidente do BRB, Nelson Souza -

As discussões sobre o Banco Master e a suposta fraude envolvendo recursos do Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de Maceió (Iprev) provocaram um embate entre os senadores alagoanos Renan Calheiros (MDB) e Eudócia Caldas (PSDB) durante a sessão de ontem da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal.

Presidente do colegiado, Renan já adotou medidas judiciais relacionadas ao caso. Durante o debate, Eudócia pediu que o senador assinasse o requerimento de criação da CPI do Banco Master, alegando que ainda faltariam apoios para viabilizar a instalação da comissão.

Segundo a parlamentar tucana, uma investigação parlamentar permitiria esclarecer todos os fatos relacionados ao banco e à aplicação de recursos do Iprev.

Ao abordar o caso do Iprev de Maceió, Eudócia afirmou que o então prefeito JHC concedeu autonomia administrativa ao instituto e ao seu conselho gestor, sustentando que as decisões adotadas seguiram procedimentos considerados regulares à época.

“O prefeito JHC deu autonomia porque o Iprev é autônomo. O presidente do instituto fez como a maioria fez, acreditando que era algo lícito, algo correto. Depois é que tudo isso foi deflagrado, mas tudo isso na CPI a gente vai esclarecer”, declarou.

A senadora também afirmou que JHC não conhece Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, sustentando que o nome do ex-prefeito não apareceria entre os contatos do empresário.

Na sequência, Eudócia direcionou suas críticas ao próprio Renan Calheiros. Ela afirmou que o senador teria mantido reuniões com Vorcaro quando, segundo disse, poucas pessoas tiveram acesso ao empresário, e criticou uma proposta legislativa defendida por Renan relacionada ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

Na avaliação da parlamentar, a medida acabaria transferindo ao sistema garantidor – e, segundo ela, ao conjunto da sociedade – o custo das perdas envolvendo o Banco Master, em vez de responsabilizar diretamente Daniel Vorcaro.

“O senhor está protegendo o Vorcaro. Quem tem que pagar é o Vorcaro, não é o povo brasileiro. Se o FGC pagar, quem vai pagar é o povo brasileiro”, afirmou durante a sessão.

Ao responder, Renan Calheiros afirmou inicialmente que a presidência da Comissão de Assuntos Econômicos não deveria ser utilizada para debates paralelos ou de natureza local que fossem estranhos ao objeto da audiência pública.

“Não é da índole desta presidência se servir da condução da mesa para debates paralelos, paroquiais, que sejam estranhos ao objeto desta presente convocação”, declarou.

Em seguida, porém, o senador aproveitou para reafirmar sua posição sobre o caso do Iprev de Maceió e disse que buscará a responsabilização de quem tiver causado prejuízos aos aposentados e pensionistas.

“Como senador da República, eu vou obrigar que os ladrões do dinheiro dos aposentados do Iprev de Maceió devolvam, seja quem for o ladrão. Eu não sei quem é e nem quero prejulgar, mas seja quem roubou vai ter que devolver, porque os aposentados e pensionistas não podem ser surrupiados, roubados”, afirmou.

Renan também informou que já adotou providências judiciais sobre o episódio. “Eu entrei na Justiça, apresentei uma notícia-crime e pedi o bloqueio dos bens dos prefeitos, do Vorcaro, do Augusto Lima e de todos os envolvidos subordinados do prefeito de Maceió no Instituto de Previdência da capital alagoana”, declarou.

O presidente da CAE acrescentou que qualquer pessoa que disponha de informações sobre eventuais irregularidades deve encaminhá-las às autoridades competentes por meio de notícia-crime. “Faça o que eu fiz. Peça o bloqueio, leve a notícia-crime para uma autoridade investigar. É isso que nós devemos fazer”, disse.

Ao encerrar sua manifestação, Renan afirmou que colocará seu mandato à disposição da busca pela responsabilização dos envolvidos. “Como senador da República, eu coloco o meu mandato à disposição para que essas pessoas sejam exemplarmente punidas”, concluiu.

RENAN COBRA ESCLARECIMENTOS SOBRE O BRB

O embate ocorreu durante audiência pública da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) com o presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson Antônio de Souza, convocado para prestar esclarecimentos sobre a situação financeira da instituição e suas operações envolvendo o Banco Master.
Entre os principais temas debatidos estiveram o valor real das perdas relacionadas aos negócios com o Banco Master, as condições do acordo de reestruturação do BRB homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e a ausência de divulgação do balanço financeiro da instituição referente a 2025.

Autora do requerimento da audiência, a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) cobrou mais transparência sobre a situação do banco e questionou quanto a crise poderá custar ao Distrito Federal e ao País.

Na condição de presidente da CAE, Renan Calheiros também questionou a homologação do acordo de reestruturação antes da divulgação do balanço de 2025 do BRB. O senador afirmou não compreender como uma operação dessa dimensão foi homologada sem que fossem conhecidos o tamanho das perdas e a real situação financeira da instituição, defendendo que todas as informações sejam devidamente esclarecidas ao longo das investigações.

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