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Eleição 2026

Impasse com Lira complica articulação entre JHC e Luciano

Ausência do prefeito de Arapiraca em agenda do pré-candidato ao governo expõe dificuldades para formalização de aliança

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Prefeito de Arapiraca, Luciano Barbosa, ainda não anunciou publicamente se apoiará JHC para o governo do Estado
Prefeito de Arapiraca, Luciano Barbosa, ainda não anunciou publicamente se apoiará JHC para o governo do Estado | Foto: Divulgação

O distanciamento político entre o pré-candidato ao governo de Alagoas, JHC (PSDB), e o deputado federal Arthur Lira (PP) passou a ser apontado nos bastidores como um dos principais entraves para a consolidação de uma aliança com o prefeito de Arapiraca, Luciano Barbosa (MDB). A equação política, que até recentemente indicava convergência entre os grupos, entrou em compasso de espera e hoje trava um dos movimentos mais estratégicos da pré-campanha para 2026.

A ausência de Luciano Barbosa durante a agenda de JHC em Arapiraca, na quinta-feira (11), reforçou esse cenário. Mesmo com a presença de aliados e lideranças locais — como a ex-prefeita Célia Rocha, que chegou a ser cotada para a vaga de vice —, o prefeito da segunda maior cidade do Estado não participou do ato público, considerado simbólico para medir alinhamentos políticos.

O gesto, ou a falta dele, é interpretado como sinal claro de que o apoio do grupo de Arapiraca segue indefinido. Mais do que isso: evidencia que a construção da chapa de JHC depende diretamente de uma variável que hoje está fora de controle — a relação com Arthur Lira.

Nos bastidores, a leitura predominante entre interlocutores políticos é de que o apoio de Luciano Barbosa sempre esteve condicionado a um arranjo mais amplo, que incluísse também a participação de Lira no projeto. A presença do deputado, pré-candidato ao Senado, funcionaria como elemento de equilíbrio político e garantia de capilaridade eleitoral.

Sem esse alinhamento, o custo político da composição aumentou. Parte dos aliados avalia que o apoio isolado de Lira perdeu força — e que, por outro lado, a ausência de Luciano fragiliza ainda mais o desenho da chapa. Em resumo, um depende do outro para fazer sentido eleitoral.

O distanciamento prático entre JHC e Lira ficou mais evidente no último fim de semana, durante agenda em Arapiraca. O deputado apareceu ao lado de Luciano Barbosa e de lideranças locais, enquanto JHC, que era esperado, não compareceu. Poucos dias depois, Lira sinalizou que não pretende mais esperar por uma definição do ex-prefeito de Maceió, liberando sua base para apoiar qualquer candidatura ao governo e deixando claro que sua prioridade é a disputa ao Senado.

O movimento foi interpretado como uma quebra de alinhamento político. Ainda que não haja um rompimento formal, o distanciamento reduziu significativamente as chances de uma composição conjunta no curto prazo.

Esse novo cenário impacta diretamente a posição de Luciano Barbosa. Sem uma aliança estruturada envolvendo Lira, o prefeito de Arapiraca perde incentivos para aderir ao projeto de JHC neste momento. Ao mesmo tempo, ganha espaço para manter a postura cautelosa e ampliar o leque de negociações — incluindo possíveis conversas com o grupo liderado por Renan Filho (MDB).

A indefinição se reflete também nas negociações para a vice. Até poucos dias atrás, nomes ligados ao grupo de Arapiraca — como Lucas Barbosa ou a própria Célia Rocha — apareciam como peças-chave para selar a aliança. A indicação de um desses nomes seria a “senha” para garantir o apoio do prefeito.

É nesse contexto que o vice-governador Ronaldo Lessa voltou ao centro das articulações. Após semanas afastado de agendas públicas com JHC, ele reapareceu recentemente em evento conjunto, retomando protagonismo e se recolocando como opção viável para compor a chapa majoritária.

Assim, com Luciano mais distante e Lira em rota própria, JHC passa a reorganizar sua estratégia, buscando alternativas para manter competitividade na disputa estadual. Ainda assim, o fator Luciano Barbosa segue como peça-chave. A leitura entre aliados é de que sua decisão — seja ela qual for — terá impacto direto na definição das alianças e no equilíbrio de forças para 2026. Até lá, o cenário permanece aberto, marcado por incertezas, recuos táticos e negociações silenciosas.

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