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PF mira Jaques Wagner em investigação sobre o caso Master

Líder do governo é investigado por suposto favorecimento ao banco e recebimento de vantagens indevidas

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Wagner teria recebido vantagens para atuar em favor do Master
Wagner teria recebido vantagens para atuar em favor do Master | Foto: LULA MARQUES / AGÊNCIA BRASIL

A Polícia Federal deflagrou na manhã de ontem a 9ª fase da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e favorecimento político relacionadas ao Banco Master. Entre os principais alvos da ação está o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), além do empresário Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do banqueiro Daniel Vorcaro.

Por determinação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), foram cumpridos 18 mandados de busca e apreensão na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal. Também foram impostas medidas cautelares, como a suspensão de passaportes e a proibição de contato entre investigados.

As suspeitas contra Jaques Wagner surgiram a partir da análise de mensagens encontradas no celular de Augusto Lima. Segundo a PF, os investigadores apuram se o senador atuou em favor de interesses do Banco Master no Congresso Nacional, especialmente em propostas relacionadas à ampliação do crédito consignado e à chamada “Emenda Master”, que previa elevar a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para determinados investimentos financeiros.

Em contrapartida, a polícia investiga a suposta concessão de vantagens indevidas ao parlamentar. Entre os benefícios sob apuração estão um apartamento em Salvador avaliado em cerca de R$ 2,5 milhões, o uso de aeronaves ligadas ao grupo de Daniel Vorcaro, ingressos para eventos e outras regalias que, segundo a investigação, somariam pelo menos R$ 3 milhões.

Durante as buscas, agentes federais apreenderam aproximadamente US$ 55 mil e 33 mil euros em endereços vinculados ao senador em Brasília e na Bahia. Parte do dinheiro foi encontrada em um quarto de hotel utilizado por Wagner na capital federal. A PF pretende ouvir o parlamentar sobre a origem dos valores.

A investigação também alcança pessoas próximas ao senador. Os policiais analisam repasses de cerca de R$ 11 milhões feitos pelo Banco Master à BK Financeira, empresa da nora de Wagner, Bonnie Toaldo Bonilha, contratada para prospectar operações de crédito consignado. Bonnie é casada com Eduardo Sodré, secretário de Meio Ambiente da Bahia e enteado do senador.

Mensagens obtidas pela PF mostram contatos frequentes entre Eduardo Sodré e Augusto Lima para tratar de pagamentos, notas fiscais e despesas. Os investigadores tentam esclarecer se empresas ligadas ao entorno familiar do parlamentar foram utilizadas para movimentar recursos e ocultar eventuais vantagens indevidas.

PAPEL ESTRATÉGICO

Augusto Lima também é alvo central da operação. Ex-sócio de Daniel Vorcaro, ele já havia sido preso na primeira fase da Operação Compliance Zero, em novembro de 2025. Segundo a PF, ele exercia papel estratégico na interlocução do grupo com agentes políticos e é investigado em outras ações relacionadas a supostas fraudes financeiras e blindagem patrimonial.

A operação ocorre em meio às investigações sobre um esquema que teria provocado prejuízos estimados em até R$ 60 bilhões. Os fatos apurados podem configurar, em tese, os crimes de corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro.

Em nota, a defesa de Augusto Lima afirmou que as diligências eram desnecessárias, alegando que o empresário está à disposição das autoridades há seis meses. Os advogados sustentam que todas as atividades desenvolvidas por ele ocorreram dentro da legalidade.

Jaques Wagner afirmou ontem que os dólares apreendidos têm origem em diárias pagas pelo Senado em razão de viagens para o exterior que realiza como parlamentar

Em entrevista à BandNews, o petista também negou ter relação com Daniel Vorcaro e disse que não atuou em favor do Banco Master no Senado.

O presidente nacional do PT, Edinho Silva, saiu em defesa do líder do governo. Em nota, afirmou ter “plena confiança” em Wagner, declarou apoio às investigações e disse acreditar que o senador conseguirá esclarecer os fatos e comprovar sua inocência.

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