Política
Reforma eleitoral deixa a desejar
Nunca se viu tanta agilidade na Câmara dos Deputados, em Brasília. Em apenas duas horas e meia, o texto da reforma eleitoral, que tramitou por cinco semanas no Senado, foi apreciado e votado rapidinho. Tudo num grande acordo entre os líderes dos partidos, reunidos na noite da última quarta-feira, 16. Só o que não foi consenso, seguiu para o plenário. E essa pressa toda não poderia ter outra explicação: as eleições de 2010, é claro, Bastou o Senado, na terça, 15, votar e aprovar 60 emendas, para, no dia seguinte, uma comissão de parlamentares ir pessoalmente buscar a matéria. Normalmente o texto levaria uma semana para chegar à Câmara. Como o tempo estava contado, os deputados não quiseram esperar. Desta vez, levou menos de 24 horas. ### Líder da bancada alagoana lamenta a falta de debates O líder da bancada alagoana na Câmara dos Deputados, Augusto Farias (PTB), afirmou ter saído ?frustrado? da sessão de quarta-feira, dia 16, que aprovou o pacote de reformas eleitorais, enviado para sanção do presidente Lula. ?Não houve debate. Foi tudo um acordo entre os líderes dos partidos. Eu fiquei frustrado com esta reforma?, contou ele, dizendo que para a grande maioria dos deputados, as propostas do Senado passaram longe da discussão que deveria ocorrer. Augusto Farias diz que o que houve não foi bem uma reforma. ?Não se discutiu a janela [período para troca de partido], não se falou da questão da fidelidade partidária. O foco maior ficou na propaganda, principalmente ao que tange a internet. Em minha opinião, esta foi uma reforma pífia?. ### Dirigentes partidários criticam texto O presidente do PSDB em Alagoas, Claudionor Araújo, disse que o que mais chamou sua atenção no processo de aprovação da reforma eleitoral, em Brasília, foi ?a falta de coragem? dos parlamentares. ?Falta compromisso e coragem do Congresso Nacional para fazer uma reforma política de verdade. O que houve foi um arremedo de reforma. O que foi aprovado é muito superficial?. Ficou de fora do debate temas essenciais, na opinião de Claudionor Araújo, como o financiamento público de campanha e regras para valorizar a fidelidade partidária. ?O financiamento público e a questão da fidelidade tinham que ser debatidos. Criar regras para estes pontos transformaria a disputa ainda mais democrática. O que foi aprovado não é nada diante da reforma política que almejamos? ### Sociedade é incentivada a se mobilizar Para eles, mudanças moralizantes nas regras do jogo eleitoral só podem vir mesmo de um lugar: da vontade do povo. Tanto o advogado Paulo Brêda, que se destacou nas últimas eleições no comando da Comissão de Combate aos Crimes Eleitorais, da OAB, como a juíza Ana Florinda Dantas, do Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas, acreditam que só a partir da mobilização da sociedade, regras como a exigência da ficha limpa na Justiça para quem quer se candidatar e o financiamento público e igualitário das campanhas podem virar um dia realidade. Esperar de Brasília mudanças radicais nas leis eleitorais não é o melhor caminho, segundo eles. ///