Política
Assembleia pode abrir CPI contra o TJ
A guerra está declarada! De um lado, o Legislativo; do outro, o Judiciário. O que até ontem ainda era considerada uma relação diplomática, ruiu. O fogo cruzado entre os dois poderes em Alagoas foi reaberto na madrugada de ontem, quando por decisão monocrática do desembargador Orlando Manso, do Tribunal de Justiça, policiais civis foram à casa de deputados que integram a Mesa Diretora da Assembleia com mandados de prisão e de busca. Por determinação do desembargador, os oito deputados deveriam ser detidos sob acusação de descumprirem ordem judicial. O magistrado é o mesmo que por duas vezes mandou a ALE afastar do mandato Cícero Ferro (PMN) e que levou a presidência do TJ a pedir ao Supremo Tribunal Federal (STF) intervenção na Assembleia. ### Prisão é impedida por liminar do STJ Fernando Toledo, presidente; Alberto Sextafeira (PSB), vice; Sérgio Toledo (PMN), 2º vice; José Pedro (PMN), terceiro vice; Jota Cavalcante (PDT); Marcelo Victor (PTB); Carlos Cavalcante (PT do B) e Ricardo Nezinho (PT do B), primeiro, segundo, terceiro e quarto secretários, respectivamente, escaparam por um triz, ou melhor, por uma liminar. Tiveram que se refugiar em lugar incerto e não sabido, para não serem presos. Até em Arapiraca, onde reside o deputado Ricardo Nezinho, os policiais civis foram em busca do parlamentar. Estiveram ainda no apartamento dele em Maceió. A família de Sérgio Toledo, que estava viajando, também teria recebido policiais na porta de casa. O presidente da Assembleia, Fernando Toledo, não foi poupado. Ficou revoltado não apenas com a decisão judicial, mas reagiu com veemência às declarações do deputado Paulo Fernando dos Santos, o Paulão (PT), que levantou o questionamento de que os deputados haviam sido avisados sobre os mandados de prisão e teriam escapado na ?calada da noite?. ### Manso crê em vazamento de informação | CARLA SERQUEIRA - Repórter Alheio aos ataques do presidente da Assembleia Legislativa, deputado Fernando Toledo (PSDB), contra o Poder Judiciário, o desembargador Orlando Manso passou a tarde e parte da noite de ontem na sessão ordinária do Tribunal de Justiça. No intervalo entre os julgamentos, ele disse que acredita ter havido vazamento de informações para beneficiar os deputados que seriam presos. ?Eu acredito que houve o vazamento de informações, sim. Isso sempre acontece. Seria de admirar se não acontecesse?. Manso explicou que pediu ao secretário de Defesa Social, Paulo Rubim, na sexta-feira passada, 25, que fosse lavrado o flagrante contra os deputados da Mesa Diretora. ?Não foi mandado de prisão, foi flagrante delito?, afirmou, dizendo que o flagrante foi motivado pela edição do Decreto 06/2009, aprovado no último dia 2 de setembro, o qual autoriza o Poder Legislativo de Alagoas a não cumprir ordens judiciais referentes ao afastamento de deputado estadual do exercício de suas funções parlamentares. ### Arthur Lira e Gilvan Barros deixam PMN No meio do fogo cruzado que marcou o dia no Legislativo ontem, os deputados Arthur Lira e Gilvan Barros foram à tribuna da Casa para anunciar que decidiram sair do PMN, o Partido da Mobilização Nacional, que vive dias de declarada guerra entre filiados e o presidente da executiva estadual, o deputado federal Francisco Tenório. O primeiro a falar foi Arthur Lira. Disse que aproveitava o momento, onde a imprensa e a sociedade voltavam os olhos para a Casa Legislativa, para comunicar sua desfiliação do PMN e falou que tem vários motivos para isso. ?Posso enumerá-los. Antes, o partido era comandado pelo deputado Celso Luiz, que foi presidente dessa Casa e era um homem que aglutinava; um conciliador que buscava sempre a harmonia. Com a saída dele, assumiu o deputado Francisco Tenório, que passou a ter não uma posição de partido, mas pessoal?. NR ///