Política
Esquenta a briga por comiss�es na ALE
Assim que botaram o pé de volta na Assembleia Legislativa, após um ano longe da Casa, os deputados acusados na Operação Taturana deixaram claro: iriam brigar para reconquistar o espaço e retomar, de fato, o poder que perderam quando a Justiça mandou retirá-los do parlamento. Esperaram apenas o tempo suficiente para ?a poeira baixar? e as críticas em relação ao retorno diminuírem para atacar. Querem voltar a fazer parte das comissões permanentes, participação da qual a maioria não abre mão. Foram quatro meses de espera, período no qual a pressão foi ?silenciosa?. Cobravam dos comandantes da Casa essa participação, mas não externavam para a população. Na semana que passou, a história mudou de figura. Os deputados abriram a boca e durante as sessões ordinárias levaram o assunto a plenário. ### Orçamento e CCJ são as mais cobiçadas São ao todo 12 comissões permanentes na Assembleia Legislativa, contando com a Mesa Diretora e a recém-criada Comissão de Ética. Todas, logicamente, têm sua importância, mas as que pesam mesmo na preferência dos deputados são a de Orçamento e a de Constituição e Justiça, a CCJ, por onde tramitam praticamente todos os projetos no Legislativo. A influência de quem comanda uma das duas é inquestionável. É na primeira, por exemplo, que tramita o Orçamento dos poderes, este ano fixado em R$ 5,7 bilhões. As duas são o alvo da disputa travada no Legislativo desde a retomada dos deputados afastados pela Justiça. ?É impossível contemplar a todos com as comissões de Orçamento e a de Justiça. Essa disputa é natural. Afinal, quem não quer estar nas melhores comissões para trabalhar? Ocorre que não há espaço para todo mundo. Alguém vai ficar com raiva, insatisfeito se não for atendido, mas não há lugar. Todos querem ir e os que estão lá obviamente não querem sair. Por isso, precisamos conversar muito?, diz o líder do bloco da maioria na Casa, deputado Sérgio Toledo (PDT), que está com a batata quente na mão, e, uma vez não havendo entendimento, pode decidir sozinho o que fazer. ### Boicote a sessões na disputa pelo poder Quem quer espaço nas comissões sabe que não vai ser fácil, principalmente se o cargo for de presidente. Esse está praticamente descartado. Mas a disposição é de manter a pressão para reconquistar o que deixou para trás no período de um ano longe do parlamento. O deputado Marcos Ferreira (PSDB), por exemplo, diz que está buscando o caminho do entendimento, mas se isso não for possível ele visualiza ?uma saída?, que já teria sido inclusive conversada com colegas que estão na mesma situação que ele. ?Para votar projetos é preciso ter maioria, 14 deputados em plenário. Saindo nove parlamentares, não tem quórum. Tranca a pauta da Assembleia?, diz ele, que afirma ainda esperar uma solução pacífica. ///