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ELEIÇÕES

Arquidiocese barra palanque em templos e exige afastamento de líderes candidatos nas eleições

Documento visa resguardar a neutralidade partidária da instituição e proteger a unidade da comunidade eclesial

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Imagem ilustrativa da imagem Arquidiocese barra palanque em templos e exige afastamento de líderes candidatos nas eleições
| Foto: GazetaWeb.com

A Arquidiocese de Maceió divulgou, nessa sexta-feira (3), um decreto com uma série de orientações e proibições pastorais voltadas a impedir a instrumentalização política dos espaços e membros da Igreja Católica Apostólica Romana durante o processo eleitoral de 2026. A determinação impõe o afastamento imediato, por licença, de fiéis leigos em funções de liderança que disputarem cargos políticos, veta pronunciamentos partidários em celebrações litúrgicas e proíbe terminantemente o uso de templos e canais de comunicação institucionais para propaganda ou pedidos de voto.

Assinado pelo arcebispo metropolitano, Dom Carlos Alberto Breis Pereira, o documento visa resguardar a neutralidade partidária da instituição e proteger a unidade da comunidade eclesial diante do acirramento da disputa nas eleições majoritárias e proporcionais no estado de Alagoas.

Conforme o decreto estabelecido pela Cúria Arquidiocesana, os fiéis leigos que pretendem atuar como candidatos, dirigentes partidários ou cabos eleitorais precisam se licenciar de suas funções de destaque — como catequistas, ministros extraordinários da Sagrada Comunhão, leitores, cantores e coordenadores de pastorais — pelo menos 90 dias antes do pleito. Da mesma forma, o clero, incluindo presbíteros e diáconos, recebeu ordem expressa de manter rigorosa neutralidade política.

A hierarquia da Igreja determinou que nenhum líder religioso invoque títulos ou cargos eclesiais para legitimar candidaturas ou influenciar o voto dos fiéis, vedando o uso da imagem de bispos e padres em santinhos e redes sociais de candidatos.

O decreto prevê ainda que altares, ambões, salões paroquiais e pátios não poderão servir como palanque político. A proibição alcança também o ambiente virtual, de modo que sites oficiais, perfis de redes sociais e grupos de WhatsApp ou Telegram de paróquias fiquem estritamente bloqueados para compartilhamentos, curtidas ou comentários de teor partidário. Carros de som e trios elétricos com propaganda política estão proibidos de circular nos arredores dos templos antes, durante ou após a realização de missas, procissões e quermesses.

Como justificativa doutrinária, o decreto ampara-se no Compêndio da Doutrina Social da Igreja e no Código de Direito Canônico, os quais preconizam que a instituição respeita a legítima autonomia da ordem democrática, mas não deve manifestar preferência por soluções institucionais específicas nem ingressar no mérito de programas políticos partidários.

Em sua exortação final, o arcebispo Dom Carlos Alberto Breis ressaltou que a Igreja reconhece a política vivida com integridade como uma forma de caridade, estimulando o voto consciente dos católicos. No entanto, a Arquidiocese enfatizou que o altar do sacrifício jamais poderá ser reduzido a palco de campanha eleitoral. O descumprimento das regras, segundo o documento, será tratado com firmeza pelas autoridades eclesiásticas, podendo acarretar a suspensão das funções exercidas, afastamento cautelar e outras penalidades canônicas e administrativas aplicáveis.

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