Política
Emo��o marca posse de Collor na AAL
Para prestigiar a cerimônia, boa parte dos convidados chegou antes mesmo da hora marcada. Faltavam ainda alguns minutos para as 17 horas, e já estava lotado o Auditório Carlos Moliterno, situado logo na entrada do histórico prédio da Academia Alagoana de Letras, erguido em 1879. Ontem, ninguém arriscou perder a posse do mais novo acadêmico: aos 60 anos recém-completados, o senador da República Fernando Affonso Collor de Mello foi eleito para ocupar a cadeira de nº 20 do colegiado, que no próximo dia 1º de novembro festejará seus 90 anos de atividades. A cadeira de número 20, até o dia 23 de dezembro de 2008, era ocupada pelo médico e educador Ib Gatto Falcão, que aos 94 anos despediu-se da vida. Foi recordando sua trajetória, ?desde os tempos de menino?, na companhia do intelectual, que o senador não conteve a emoção e continuou o discurso com a voz embargada. O ex-presidente da República também se emocionou (e emocionou os convidados) ao falar do pai, o imortal Arnon Affonso de Farias Mello, que, como ele, 40 anos atrás, estava sendo empossado na Academia Alagoana de Letras, fundada em 1919. ?Eu já ocupei muitas tribunas como político, mas esta aqui é especial. Já passaram por esta casa, além do meu querido pai e do amigo e mestre Ib Gatto, grandes personalidades como Aurélio Buarque de Hollanda e Lêdo Ivo. Estar aqui, não só dignifica a alma como me incentiva ainda mais a seguir na política e me dedicar ainda mais à escrita?, disse Fernando Collor, ao frisar que o seu pai continua sendo a sua maior inspiração. ?Ele sabia muito bem conciliar a arte da política com a arte da escrita?. Para uma plateia com diversas autoridades, a exemplo do vice-governador, José Wanderley Neto; do senador Renan Calheiros; do procurador-geral de Justiça, Eduardo Tavares; e do prefeito de Maceió, Cícero Almeida, o novo acadêmico de Alagoas enumerou as suas colaborações mais recentes na política brasileira. Ele ressaltou o seu empenho nos debates sobre as reformas política e eleitoral, os desafios da política externa do Brasil, a crise econômica mundial e a retomada do desenvolvimento do País. Para destacar a importância de políticos no processo de construção também da história literária do Brasil, o ex-presidente da República enumerou, ainda, expoentes da política brasileira, a exemplo de Joaquim Nabuco e Getúlio Vargas, que, por suas trajetórias na vida pública, foram eleitos para ocupar cadeiras na Academia Brasileira de Letras. Em seu discurso, o novo membro da Academia Alagoana de Letras citou intelectuais da literatura universal, como o filósofo francês Michel de Montaigne; defendeu a prática da liberdade democrática e homenageou o patrono de sua cadeira, o juiz Augusto de Oliveira, e seus antecessores, além do médico Ib Gatto, o poeta Cassiano de Albuquerque e o médico Ezequias da Rocha. Ao reproduzir uma frase do filósofo grego Cícero, ?onde se está bem, aí é a pátria?, Fernando Collor, diante da irmã Ana Luísa, do filho Fernando James; da esposa Caroline Medeiros; e das filhas gêmeas, Cecile e Celine, contou aos convidados estar se sentido em casa na Academia Alagoana de Letras. ?Aqui passa a se constituir também minha pátria e porque não dizer, a minha família?. E foi falando da sua família, que o acadêmico ? eleito para ocupar uma das 40 cadeiras da instituição literária, após submeter à análise dos imortais sete publicações, entre elas, uma coletânea de seus discursos ?, voltou a se emocionar. Ele revelou detalhes dos bons anos em que viveu nas imediações da Praça Sinimbu, na companhia dos primos, quando o seu pai era governador do Estado, na primeira metade da década de 1950. Na mesma casa onde morou Jorge de Lima, reinaugurada no ano passado, após grande empenho do imortal Ib Gatto Falcão, que não mediu esforços para restaurar o prédio histórico, Fernando Collor disse ter passado parte de sua infância. ### Cerimônia é prestigiada por autoridades e intelectuais O presidente da Academia Alagoana de Letras, dom Fernando Iório, antes da cerimônia de posse, falou à Gazeta sobre a alegria de receber Fernando Collor no colegiado. ?É um membro que vai honrar esta casa, como um dos grandes oradores que Alagoas já teve. Esta é uma homenagem pelos títulos que o senador Fernando Collor já conquistou em sua trajetória. Ele já foi prefeito, governador, deputado, presidente da República e agora é senador. A Academia só tem a ganhar com a presença dele entre nós?. Em seu pronunciamento, dom Fernando Iório elogiou a peça com o discurso de posse de Fernando Collor no Senado. E reafirmou que o senador está na galeria de grandes oradores da Academia, da qual fazem parte Guedes de Miranda, Orlando Araújo, Jaime de Altavila e Ib Gatto Falcão, conforme enumerou. O pediatra Milton Hênio, também imortal da Academia Alagoana de Letras e amigo de muitos anos da família Collor de Mello, preparou o discurso mais extenso da tarde. O médico fez questão de reiterar boa parte do texto de abertura da solenidade, lido pela 1ª secretária da instituição, a professora e escritora Enaura Quixabeira, que detalhou, ano a ano, o currículo escolar e político do mais novo membro da Academia. Conhecedor da trajetória de Fernando Collor, Milton Hênio classificou o novo imortal como ?um vencedor?. ?É um vencedor porque sempre soube que o sucesso só é importante quando se tem a paz interior?. Presidente do Instituto Arnon de Mello, Carlos Mendonça disse que estava sendo uma grande satisfação ver agora Fernando Collor como um imortal da Academia Alagoana de Letras. ?É uma felicidade muito grande para mim. Eu, como amigo, conheço a disposição do Fernando para o trabalho. Ele tem um potencial fantástico, é dinâmico. Ele traz para cá o verdadeiro sangue novo. Quem ganha com isso é toda a sociedade alagoana?, disse ele. Empresários como o industrial João Lyra; intelectuais como Aldo Ivo, Douglas Apratto e Arriete Vilela; além de juízes, promotores, gestores públicos, professores e políticos estavam entre os convidados, que festejaram a noite com um coquetel. |CS