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Junqueiro

Prefeito veta publicidade de bets no município e pede mobilização

Decreto mira proteção de crianças, além de alertar para impactos financeiros e psicológicos das apostas

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Disseminação das bets tem gerado amplo debate público
Disseminação das bets tem gerado amplo debate público | Foto: Divulgação

O prefeito de Junqueiro, Leandro Silva (MDB), anunciou a edição de um decreto que proíbe a veiculação de propagandas de casas de apostas (conhecidas como “bets”) em espaços públicos vinculados à Prefeitura Municipal. A medida foi divulgada por meio de um vídeo nas redes sociais, no qual o gestor classificou o crescimento desse tipo de publicidade como um problema grave e em expansão no Brasil. Com a medida, Junqueiro junta-se a outras cidades brasileiras que já proibiram a publicidade de bets em espaços públicos, como Rio de Janeiro, Belo Horizonte (MG) e Aracaju (SE).

Ao apresentar a decisão, o prefeito relatou uma situação pessoal que, segundo ele, acendeu o alerta sobre o tema. Durante a Copa do Mundo, ao assistir a um jogo da Seleção Brasileira ao lado do filho de 12 anos, o jovem questionou o que seriam as “bets” após ser impactado por diversas propagandas. “Eu fiquei sem saber explicar naquele momento. Disse a ele que não era algo adequado para a idade, mas aquilo me fez refletir e buscar mais informações”, afirmou.

A partir desse episódio, Leandro Silva disse ter pesquisado para entender a dimensão do fenômeno no país. Ele citou dados atribuídos ao Banco Central que apontam que entre R$ 18 bilhões e R$ 21 bilhões teriam sido transferidos via Pix para empresas de apostas ao longo de 2024. “É um volume muito alto de recursos e isso mostra que estamos diante de um problema sério, que afeta diretamente a vida das pessoas”, destacou.

Com base nesse cenário, o gestor decidiu editar o decreto proibindo “qualquer tipo de propaganda de bets em locais públicos da Prefeitura Municipal de Junqueiro”. A medida abrange espaços institucionais, eventos promovidos pelo município e estruturas públicas sob responsabilidade da gestão.

Além da decisão administrativa, o prefeito fez um apelo público para que outros gestores municipais adotem iniciativas semelhantes. “Quero pedir aos colegas prefeitos de Alagoas que também baixem esse tipo de decreto. É preciso que haja união da sociedade e do poder público para enfrentar esse problema”, disse.

Durante o pronunciamento, Leandro Silva mencionou ainda um projeto de lei de autoria do deputado estadual André Silva, aprovado na Assembleia Legislativa de Alagoas, que trata da proibição da divulgação de jogos de azar por influenciadores digitais. Segundo ele, a proposta já apontava os riscos das apostas há cerca de dois anos, embora ainda não tenha sido sancionada pelo governo estadual. “Já existia esse alerta, mas hoje estamos vendo o problema ganhar uma proporção ainda maior”, pontuou.

O prefeito reforçou que a principal preocupação da medida é a proteção de crianças e adolescentes, cada vez mais expostos a esse tipo de conteúdo. “Hoje a gente vê propaganda em todo lugar. Isso acaba alcançando quem não tem maturidade para entender os riscos”, afirmou. Ele também associou o crescimento das apostas a consequências sociais mais amplas. “É um problema financeiro e também psicológico. Enquanto estamos aqui, milhares de pessoas estão se endividando. Famílias estão sendo destruídas”, declarou.

Leandro Silva defendeu maior engajamento das autoridades em diferentes níveis e citou a necessidade de atuação de governos estaduais, parlamentares e do Senado para discutir medidas mais amplas de controle e conscientização sobre o tema.

POLÊMICA

O crescimento acelerado das apostas esportivas online no Brasil tem gerado amplo debate público. Impulsionadas por forte investimento em publicidade — especialmente em transmissões esportivas, redes sociais e com influenciadores digitais —, as chamadas “bets” passaram a fazer parte do cotidiano de milhões de brasileiros.

Nessa sexta-feira (17), entraram em vigor novas regras para as empresas de apostas online, com restrições severas na publicidade. Toda comunicação oficial, propaganda ou marketing deve obrigatoriamente incluir alertas de advertência com pelo menos 10% do tamanho do anúncio, além de cumprir novas exigências de transparência e proteção a menores. Durante transmissões esportivas, narradores e comentaristas não podem recomendar as bets nem citar odds e palpites de forma a induzir o público. Redes sociais, lojas de aplicativos e provedores de conteúdo devem filtrar anúncios para evitar que menores tenham acesso às promoções e verificar a idade dos usuários.

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