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Eleições 2026

PL descarta candidatura ao governo e reforça polarização na sucessão estadual

Partido mantém negociações abertas e pode se aproximar politicamente do PSDB de JHC

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Gaspar disse que não houve tempo para viabilizar uma candidatura competitiva do partido
Gaspar disse que não houve tempo para viabilizar uma candidatura competitiva do partido | Foto: Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

O Partido Liberal (PL) em Alagoas não terá candidato próprio ao Governo do Estado nas eleições de 2026. A decisão foi revelada pelo presidente do diretório estadual da sigla, o deputado federal Alfredo Gaspar de Mendonça, em meio a um processo de reorganização interna iniciado após a saída do ex-prefeito de Maceió, JHC, do partido, ocorrida entre março e abril deste ano.

Sem uma terceira via robusta no estado, o cenário aponta para uma disputa concentrada entre dois polos: de um lado, o grupo liderado pelo ex-governador Renan Filho (MDB); de outro, a quase certa candidatura de JHC (PSDB). Correndo por fora, o partido Unidade Popular (UP) oficializou, na terça-feira (21), a candidatura da jornalista Lenilda Luna ao governo de Alagoas e o psicólogo Jardel Queiroz como candidato a vice.

A ausência de um nome competitivo alternativo, somada à indefinição de partidos estratégicos como o PL, reforça a leitura de que a eleição pode ser decidida já no primeiro turno.

Segundo Gaspar, apesar de especulações nos bastidores, não houve tempo hábil nem construção política suficiente para viabilizar uma candidatura competitiva ao Palácio República dos Palmares. “Não houve trabalho interno específico para preparar um nome”, admitiu. Entre os nomes cogitados, esteve o do professor Henrique Costa, vice-reitor licenciado da Uncisal, mas a possibilidade não avançou. Ele deve disputar uma vaga na Câmara dos Deputados pelo PL.

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A ausência de candidatura própria ocorre paralelamente a outros movimentos estratégicos do partido. Um deles foi a desistência de ações judiciais que pediam a perda de mandato de vereadores de Maceió que migraram para o PSDB, entre eles Chico Filho, Eduardo Canuto e Carl Moreira. A retirada dos processos foi comunicada ao Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE-AL) e, oficialmente, atribuída à autonomia partidária.

Na prática, a decisão encerra o risco de cassação dos mandatos e abre espaço para uma reaproximação política entre PL e PSDB no estado, mirando as eleições gerais. O gesto é interpretado como um aceno de distensão em um cenário ainda indefinido quanto a alianças majoritárias.

Apesar disso, o PL evita reconhecer publicamente qualquer reaproximação com JHC. Internamente, a tendência é de que o partido deixe para o último momento a definição sobre eventual apoio ao governo — se é que haverá uma posição unificada. Nos bastidores, lideranças da sigla admitem a possibilidade de declaração de voto em JHC, sobretudo pela resistência em apoiar candidatos alinhados ao Presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Uma eventual composição formal com o grupo de JHC, no entanto, esbarra em questões políticas. Uma delas é a escolha do candidato a vice-governador. Caso seja confirmada a indicação de Ronaldo Lessa (PDT) para a vaga, por seu histórico de alinhamento à esquerda, a chance de uma aliança oficial com o PL — e também com a federação União Progressista — diminui significativamente.

Por outro lado, nomes considerados de consenso dentro do campo da centro-direita, como a ex-prefeita de Arapiraca e ex-deputada federal Célia Rocha (PSDB), surgem como alternativas que poderiam facilitar a convergência entre essas forças políticas. Célia, inclusive, já declarou apoio ao Senado a Alfredo Gaspar e Arthur Lira, além de alinhamento com o campo bolsonarista na disputa presidencial.

Caso uma coligação entre PL, União Progressista e o grupo de JHC se concretize, o impacto eleitoral pode ser relevante. A soma da representatividade dessas legendas no Congresso ampliaria o tempo de televisão e rádio, fortalecendo a visibilidade da candidatura.

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